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Em 2014, só será ‘Classe A’ quem ganhar a partir de R$ 17 mil/mês

A ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa passará a adotar á partir de Janeiro de 2014 um novo critério que não é uma simples atualização de valores do atual.

Antes do CCEB – Critério de Classificação Econômica Brasil existiam muitas formas de calcular o poder de consumo das famílias brasileiras, o que impedia a comparação entre pesquisas realizadas em regiões diferentes, por empresas diferentes em momentos diferentes.

O Critério atual leva em consideração os dados coletados em 11.000 domicílios em 9 regiões metropolitanas (Distrito Federal, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre).

O CCEB – 2014 terá como base a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE. O estudo proporciona maior representatividade em função do tamanho a amostra de 62.000 domicílio e da cobertura geográfica nacional estratificada por grandes regiões geográficas e por áreas metropolitanas, urbanas e rurais.

O CCEB também fez alterações nos itens de posse de bens e no peso dado a cada um e a inclusão de acesso a serviços públicos (água encanada e rua pavimentada).

Essas alterações atualizam o CCEB frente as variações na renda a na posse de bens das famílias, produzidas pelas mudanças na economia brasileira.

Sobre o tema, que interessa a tantos, a coluna foi ouvir a opinião de um dirigente de organização com boa tradição em Curitiba, Bruno Souza Lopes, diretor e criador do Instituto Souza Lopes. Ele responde a questões chave, como a nova nomenclatura, em que apenas os detentores de renda mensal de R$ 17.434,00 poderão ser classificados como pertencentes à classe A.

Para Bruno – que ficou conhecido como “Bruno do IBOPE”, pois chegou em Curitiba nos anos 80 para dirigir o IBOPE local, praticamente nada muda.

Nem serão sentidas alterações nas avaliações de pesquisas de intenção de votos, tema palpitante, devido as próximas eleições.

“Na prática, o mercado não muda, o que muda é apenas a forma de leitura dos resultados”, diz o analista, cuja entrevista segue:

A – Para janeiro de 2014, os institutos de pesquisa de opinião e de marketing e publicidade deverão se adaptar a um novo patamar: classe A passará a ser aquele indivíduo que tem renda de R$ 17 mil mensais. Peço que nomine a organização que normatiza o assunto. Em linhas gerais, sua opinião sobre a matéria.

A) Como as mudanças proporcionam ganhos reais de qualidade na informação, acredito que a adaptação será automática, como nas mudanças anteriores. Os valores apresentados são resultado da declaração das famílias na coleta de dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, e parecem estar mais coerentes com economia atual. Os patamares atuais não condizem com os valores dos bens e serviços oferecidos para as classes mais elevadas.

Gostei do novo CCEB – 2014, acho que é mais representativo.

B – Isso, então, quer dizer que as avaliações até agora feitas em torno de classes – A,B,C,D – estão furadas?

B) Não invalida as avaliações anteriores, em cada momento usamos as métricas disponíveis. O lado negativo é que não poderemos fazer comparações. Quando mudamos o critério interrompemos a série histórica. Mas não podemos deixar de melhorar o critério de classificação por isso. Como os critérios são completamente diferentes, não será possível estabelecer comparações entre os percentuais de distribuição de classe atuais com os novos à partir de Janeiro de 2014.

C – Na sua opinião, a nova norma não limitará por demais as avaliações, considerando-se que um salário de R$ 17 mil pode ser considerado alto mesmo em países desenvolvidos?

C) O CCEB é uma ferramenta para avaliar o potencial de consumo e como tal deve oferecer uma análise mais próxima da realidade. A Pesquisa do IBGE não levanta salário e sim a Renda Familiar Declarada, e no CCEB – 2014 a Classe A corresponde a 2,80% da população brasileira.

D – A chamada classe média brasileira, a partir de 2014, vai se ampliar (hoje seriam mais ou menos 25 milhões de pessoas que a compõem). Isso faz uma grande diferença, porque haverá diversos patamares em que caberão o nome de Classe Média. Dê sua opinião.

D) É importante observar que as variações na quantidade de pessoas em uma determinada classe não significa que a população ficou mais rica ou mais pobre. É apenas resultado da mudança no critério de classificação.

A Classe Média é a mais numerosa e é responsável pela maior fatia do volume de consumo das famílias do país.

Em função destes valores o mercado necessita de um maior detalhamento, justificando a segmentação em vários patamares que permitam que os estudos sejam direcionados conforme os grupos de produtos e serviços.

E – A definição de “nova classe média”, que emergiu dos programas sociais a partir de FHC e Lula sempre soou exagero. Na verdade, pobres, às vezes muito pobres, com acesso a crédito, em função do Bolsa Família, entraram nessa categoria. E para onde essa fatia da população irá a partir de janeiro?

E) A entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo é uma realidade. O aumento no número de pessoas empregadas produziu um aumento real da renda familiar. A manutenção no nível de geração de empregos pode contribuir para manter o consumo das famílias e o crescimento da classe média.

O aumento no número de pessoas nas classes D e E no novo critério não quer dizer que a população ficou mais pobre, provavelmente seja resultado da mudança do critério e da ampliação da área geográfica de cobertura da coleta de dados, incluindo grandes regiões, com cidades de todos os tamanhos e áreas rurais.

F – Como analista de opinião pública, a nova definição de classe A – e ampliação das demais – tornará mais precisas as avaliações sobre o que pensa, como vive, como se comporta a população brasileira?.

F) Acredito que o novo CCEB – 2014 retrate melhor o perfil das  famílias brasileiras, isso vai proporcionar estudos de mercado mais representativos.

G – Na prática, partidos políticos, por exemplo, deverão sofrer algum tipo de “ajuste” em suas campanhas eleitorais?

G) O critério não muda o comportamento das pessoas.

Na prática, o mercado não muda, o que muda é apenas a forma de leitura dos resultados.

Na política também não deve haver mudanças. A interpretação dos desejos e necessidades da população independe da classificação econômica.

DELAZARI NA UTI

Luiz Carlos Delazari

Por anos, o membro do MP estadual Luiz Carlos Delazari foi um dos braços direito de Roberto Requião, quase sempre aparecendo como elemento conciliador a aparar. Na última administração Requião, foi Ouvidor do Estado e o filho, secretário de Segurança Pública.

Os amigos de Delazari estão muito preocupados: há duas semanas ele está internado na UTI de um hospital de Curitiba. Sofreu ataque cardíaco violentíssimo.

Delazari foi um dos personagens de meu livro Vozes do Paraná 1, editado em 2008.

NOVA FACULDADE DE MEDICINA

Nos meios educacionais de Curitiba é dada como certa que a nova faculdade de Medicina que caberá à Capital, como parte da novíssima política do Governo Federal de ampliação do ensino médico no país, caberá ao grupo Pequeno Príncipe.

A instituição dirigida por Etti Fortes é considerada de boa qualidade, a partir dos serviços prestados pelo Hospital Pequeno Príncipe (pediátrico), tendo também a seu favor já manter cursos superiores na área da Saúde, como o Curso de Enfermagem, na Avenida Iguaçu.

OPINIÃO DE VALOR

ARGENTINOS BLOQUEIAM A MONSANTO

Jornalista Dario Aranda

As assembleias socioambientais de Córdoba mantém há um mês um bloqueio no imóvel da Monsanto, onde a companhia pretende construir a maior fábrica de sementes de milho da América Latina. Os membros exigem que a população possa escolher se aceita, ou não, ter 240 enormes depósitos em seu bairro.

A empresa suspendeu momentaneamente a obra e, em paralelo, a ONG Funam denunciou o governo de Córdoba por “violar todos os passos” administrativos para a autorização da fábrica. Uma pesquisa recente revelou que 63% dos moradores da cidade rejeitam a instalação da Monsanto e 67% apoiam a reivindicação dos membros da assembleia. Hoje haverá novas ações contra a empresa e denúncias ao modelo extrativista.

A reportagem é de Darío Aranda, publicada no jornal Página/12, 23-10-2013.

Fonte: http://goo.gl/ITGs5C

Em 19 de setembro realizou-se um festival artístico nas Malvinas Argentinas, a 20 km do centro de Córdoba. O lema era “Primavera sem Monsanto”. Havia grupos musicais e palestras. Neste dia começou o bloqueio à Monsanto, no portão de entrada da fábrica.

Na semana do acampamento, um grupo da União Operária da Construção da República Argentina (Uocra) amedrontou os membros da assembleia. Na segunda-feira, 30 de setembro, a polícia de Córdoba reprimiu o acampamento e tentou liberar a passagem. Sofía Gatica (das Mães de Ituzaingó) foi espancada e hospitalizada e outras duas militantes fora detidas. O bloqueio continuou.

No dia 8 de outubro, houve uma mobilização massiva na capital de Córdoba, através da qual se denunciou a “emergência ambiental” da província. Entre os motivos da marcha estava a rejeição à Monsanto, aos altos índices de desmatamento e a emergência hídrica.

A Monsanto anunciou a suspensão da obra, mas há três dias tentou avançar com caminhões por uma nova entrada (pela parte de trás da área de 30 hectares). Os membros da assembleia também fecharam esta passagem.

Para cada bloqueio, a empresa respondeu com a abertura de um novo portão.

Os membros da assembleia de Córdoba fecharam o trânsito e as cinco entradas do prédio. E, na segunda-feira passada, a Monsanto anunciou à Uocra que suspenderia as atividades até as eleições.

Gastón Mazzalay, da Malvinas Luta Pela Vida, destacou os aspectos positivos de se ter freado a construção da obra e alertou sobre o que poderia acontecer depois de domingo. “Reprimir esta semana teria um custo político alto. Mas, com certeza voltarão a mandar a polícia para reprimir os moradores e para proteger a empresa”, afirmou. Mazzalay lembrou que a instalação da Monsanto é “ilegal” devido à “fraudulenta” autorização da Secretaria do Meio Ambiente, e porque não se cumpriu a Legislação Geral do Meio Ambiente (25.675), que determina estudos de impacto ambiental assim como uma audiência pública prévia à instalação de fábricas como esta da Monsanto. Em Córdoba não foram cumpridos nenhum dos requisitos.

A Monsanto é a maior corporação agrícola do mundo. Domina 27% do mercado de sementes (transgênicas e convencionais) e 86% do mercado de transgênicos. Em junho de 2012, conseguiu a aprovação do Ministério da Agricultura, para uma nova semente de soja transgênica (“Intacta RR2”), o que estimula uma nova lei de sementes.

No fim de semana passado, a empresa de consultoria Sicchar divulgou uma pesquisa de opinião eleitoral feita em Córdoba, realizada com 1.000 entrevistados (400 na capital e 600 no interior da Província). Interrogou sobre as obras públicas, a educação, o serviço de energia elétrica, as ações da polícia, a intenção de voto e, como novidade, duas perguntar referentes à maior empresa de agronegócios do mundo. “Vocês concorda ou discorda da instalação da Monsanto nas Malvinas Argentinas?” 63,2% se posicionaram contra e 19,3 a favor; 6,9 eram indiferentes e 10,5 não se posicionaram ou não responderam.

“Você concorda ou discorda com os moradores que protestam contra a instalação da Monsanto?” 66,8 % afirmaram estar de acordo com os moradores que rejeitam a multinacional. Os outros 33,8% foram contra, 3,1% se mostraram indiferentes e 2,3% se abstiveram.

À nova pesquisa soma-se outra, divulgada em abril deste ano, realizada por sete pesquisadores da Universidade Nacional de Córdoba, da Universidade Católica e do Conicet. O levantamento foi realizado apenas nas Malvinas Argentinas. Nove em cada dez (87%) se mostraram a favor da realização de uma consulta popular na localidade e 58% explicitaram sua rejeição à instalação da Monsanto.

Na segunda-feira passada, em frente ao Congresso Nacional, as assembleias de Buenos Aires começaram um acampamento, por tempo indeterminado, em apoio aos seus colegas de Córdoba. E hoje, em Córdoba, haverá uma mobilização contra a instalação da Monsanto. (IHU).

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O volume 5 da coleção Vozes do Paraná, um apanhado de nomes paranaenses que estão fazendo o dia a dia do Paraná de hoje, pode ser adquirido na livraria do CHAIN, no site RoseaNigra.com.br ou com o autor: (41) 3243-2530 e (41) 8809-4144 (Hélio).Os paranaenses que têm vida e obra registrados nesse livro-documento de autoria do jornalista Aroldo Murá G. Haygert que é Vozes do Paraná 5 são: Adélia Maria Woellner, Antenor Demeterco Jr., Carlos da Costa Coelho, Carlos Harmath, Carlos Jung, Carlos Marassi, Cassiana Lacerda, Creso Moraes, Domingos Pellegrini Jr., Edson José Ramon, Eduardo Rocha Virmond, João Casillo, João José Bigarella, Pe. Joaquin Parron, Newton Freire-Maia, Oriovisto Guimarães, Oscar Alves, Raul Anselmi Jr., Sabine Wahrhaftig, Segismundo Morgenstern, Sergio S. Reis e Sonia Lyra.
Há atualizações biográficas de personagens de livros Vozes do Paraná anteriores: Airton Cordeiro, Fábio Campana, Fernanda Richa, Gustavo Fruet, Luiz Carlos Martins e Wilson Picler.

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Esta coluna é publicada diariamente no jornal Indústria&Comércio.

Para acessar a coluna diretamente, basta acessar

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