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Leomar: o depoimento de uma vida voltada aos especiais

 

Profª Leomar Marchesini sendo homenageada e familiares

Quem conhece a psicóloga e professora Leomar Marchesini e sua dedicação à causa de inclusão de pessoas com deficiências na educação superior, sabe que ela não brinca em serviço. No Grupo Educacional Uninter ela realiza um notável trabalho, que tem amplo reconhecimento comunitário. Dia 20, o Clube Soroptimista Internacional reconheceu, em Curitiba, a ação única de Leomar, homenageando-a com jantar e admitindo-a em seus quadros associativos.

A carta que segue fala mais que qualquer outro relato sobre a homenagem. E nos dá uma informação preciosíssima: o Grupo Uninter, curitibano legítimo, é campeão brasileira na inclusão de homens e mulheres com deficiência na educação universitária:

QUERIDO AMIGO AROLDO:

Conforme me pediu, envio-lhe fotos da Noite de Premiações do SOROPTMIST INTERNATIONAL OF THE AMERICAS, do dia 20 de agosto.

Recebi o Prêmio Rubi, que é o maior prêmio concedido pela referida organização americana, a uma senhora da sociedade que, por seu trabalho, faz a diferença na vida de muitas pessoas. No meu caso é pelo trabalho de inclusão de pessoas com deficiência na educação de nível superior, o caminho que considero fundamental para que obtenham seu espaço no mercado de trabalho qualificado, uma vez que são capazes e eficientes. Eu acredito que um curso de nível superior favorece as pessoas com deficiência, sobremaneira, para exercerem plenamente sua cidadania e o “empoderamento” de suas vidas.

COM ELIAS ABRAHÃO

Comecei a trabalhar com pessoas com deficiência quando fui diretora do Departamento de Educação Especial, na gestão do saudoso Prof. Elias Abrahão como Secretário de Estado da Educação do Paraná, no primeiro governo Requião. Em 2005 vim para o Uninter onde a diretoria me propôs a criação de um Programa de Inclusão. No ano de 2006 fundei o SIANEE Serviço de Inclusão e Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais do Grupo Uninter. Desde então coordeno o setor, que atualmente tem vinte colaboradores, sendo quinze tradutores intérpretes de Libras Língua Brasileira de Sinais (todos credenciados pelo MEC) e cinco colaboradores administrativos pedagógicos TODO O QUE É POSSÍVEL No SIANEE promovemos todas as condições físicas, metodológicas e humanas para que pessoas com deficiência possam efetivar cursos de nível superior com pleno aproveitamento dos conteúdos de cada área de conhecimento.

Convertemos para mídia magnética o material didático para aos alunos com deficiência visual; disponibilizamos tradutores intérpretes de Libras qualificados pelo MEC, em todas as aulas, de todas as disciplinas de cursos nos quais haja aluno surdo, aplicamos provas, criamos procedimentos e tecnologia assistiva para os alunos. Termos aluno autista, com Síndrome de Asperger, fazendo Curso de Administração e saindo-se bem, porque eu capacito os docentes para o trabalho em sala de aula. Aliás, capacito todos os docentes do Centro Universitário Uninter para a prática pedagógica com alunos cegos, alunos surdos, alunos com deficiência psicossocial e alunos múltipla deficiência.

O EMBLEMÁTICO ROBINSON

Já formamos um aluno com múltipla deficiência, cego e com vida restrita ao leito, devido uma doença degenerativa. O Robinson Wanderley da Silva.

Ele só movimenta no corpo, três dedos da mão esquerda, com os quais digita, deitado, com o teclado do computador sobre o peito. Seu sonho era estudar, porque é muito inteligente. Colocamos uma antena da EAD Uninter em sua casa e ele assistia, ou melhor, ouvia as aulas deitado em sua cama. Aplicávamos as provas em sua casa e ele saia-se muito bem. Este rapaz formou-se no Curso Superior Tecnológico em Comércio Exterior, com notas oito e nove. Fizemos a outorga de grau em sua casa, com Prof. Picler de beca e todo o protocolo respeitado. Nesta ocasião emblemática para a inclusão, tivemos a presença de representantes das Secretarias de Educação Municipal e do Estado e até representante do governador. Hoje o Robinson faz pós-graduação em Relações Exteriores, tem um blog, e milita pela causa das pessoas com deficiência, que não podem se locomover, terem o direito de trabalhar em casa, contratadas por empresas, em cumprimento da Lei de Cotas.

VERA CHRISTINA: CEGA E CADEIRANTE

O SIANEE também formou a Vera Christina dos Santos, pessoa com dupla deficiência, cega e cadeirante, residente do Instituto Paranaense de Cegos, que concluiu o Curso Superior de Marketing. E por aí vai.

Até o momento, já passaram pelo atendimento educacional do SIANEE, e concluíram seus cursos no Uninter, mais de duzentos alunos com necessidades educacionais especiais. A cada visita dos avaliadores do MEC recebemos os mais expressivos elogios. Eles nos dizem que não conhecem trabalho igual em nosso país. O Programa de Inclusão Uninter com o SIANEE, passou a ser uma referência em Curitiba. Frequentemente recebo ligações de outras instituições de nível superior, como FAE, PUC, Unibrasil e Positivo, pedindo orientações sobre procedimentos com alunos com deficiência, referentes a apresentações de trabalhos, avaliações e estágios. O que fazemos no SIANEE não tem nos livros teóricos. Estou criando cada procedimento. Neste sentido posso dizer que sou uma autodidata.

UMA BATALHA CONTRA OS PRECONCEITOS E TABUS

Graças a Deus, estou conseguindo sucesso no trabalho que desenvolvo no Uninter, mas a luta é muito grande ainda, contra o preconceito e os tabus oriundos da ignorância da maioria das pessoas, sobre as pessoas com deficiência e seu potencial. Inclusive de professores que, após esclarecidos, confessam seu desconhecimento e surpresa diante da realidade das deficiências e da prática educacional adequada a ser adotada na docência inclusiva. Enquanto a visão clínica das deficiências enfatiza a perda, o déficit, a nossa visão educacional enfatiza o potencial. É com este potencial, com o que está funcionando bem em cada aluno com deficiência, é que iremos trabalhar. Acredito que no Uninter já estamos obtendo uma cultura inclusiva. O próprio Chanceler Prof. Wilson Picler, hoje prestigia muito o nosso trabalho.

Minha visão de inclusão educacional não me permite isentar os alunos com deficiência do domínio do conhecimento, uma vez que formamos profissionais. Portanto, fazemos todas as adaptações, ajustes, flexibilizações e adequações necessárias à diversidade de cada um, mas jamais os isentamos da aprendizagem real dos conteúdos de seu curso, cobrando conhecimentos da mesma forma que dos demais alunos sem deficiência. Enfatizando que todos os procedimentos criados pelo SIANEE estão em conformidade com o MEC e a legislação brasileira.

Eu mesma sou uma militante da inclusão. Além de minha atuação no Uninter, pertenço ao CVI RM Centro de Vida Independente de Curitiba e Região Metropolitana, no qual sou conselheira educacional, e ao Fórum dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Grande Curitiba. Tenho excelente relacionamento com o Ministério Público do Paraná, na Defensoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, cujo Promotor de Justiça Doutor José Américo Penteado de Carvalho, reconhece, valoriza e elogia muito o trabalho que faço no SIANEE Uninter em favor da inclusão legítima da pessoa com deficiência na educação e na sociedade.

NO BRASIL, NINGUÉM SUPERA A UNINTER

Em agosto de 2013 o SIANEE tem cadastrados 32 alunos com deficiência nos cursos na modalidade presencial e 529 alunos nos cursos de graduação e pós-graduação na modalidade a distância, espalhados pelos Polos de Apoio Presenciais do Uninter em todos os estados do Brasil. Neste caso, além de capacitar os docentes para aulas acessíveis, também capacito os coordenadores pedagógicos de Polos e tutores, para o trabalho eficaz com os alunos com deficiência de seus Polos, indo visitar as cidades quando necessário. Totalizando, estamos no presente com 561 alunos com necessidades educacionais especiais no Centro Universitário Uninter, a instituição de nível superior que apresenta o maior número deste alunado especial no Brasil. Este é resultado de sete anos e meio de trabalho com muita dedicação e fé, cujo sofrido início você, meu amigo Aroldo, testemunhou. Fico à disposição para as informações que desejar.

Profª Leomar Marchesini

Coordenadora do SIANEE – Serviço de Inclusão e Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais

leomar.z@grupouninter.com.br, Curitiba./

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CHEGANDO TARDE

Luiz Carlos Martins propos a proibição de armas de brinquedo

Bem o contrário do que foi noticiado por jornais como o Estado de São Paulo, domingo, o Distrito Federal (Brasília) não será pioneiro na proibição de comercialização e distribuição de armas de brinquedos.

Na verdade, fabricar e/ou comercializar armas de brinquedos está proibida no Paraná há 8 anos, desde quando a Assembleia Legislativa aprovou projeto nesse sentido de Luiz Carlos Martins. É lei desde então e vem sendo rigorosamente obedecida.

A proposta do Executivo de Brasília foi aprovada pela Assembleia Distrital.

De cada dez armas apreendidas pela polícia no DF, uma é arma de brinquedo, usada por bandidos ou pessoas em situações suspeitas.
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SÓ FALA EM JUÍZO

Airton Cordeiro

Airton Crordeio respondeu ontem a pedido da coluna para que se manifestasse sobre as acusações de assédio, feitas por uma estagiária de jornalismo, motivo de grande repercussão nos últimos dias. “Só falarei em juízo”, diz Airton, com isso admitindo que está disposto a questionar a acusadora.

Para o portal Paraná Online, Airton foi um pouco além: “nunca assediei ninguém”, registrou.

SÓ FALA (2)

De qualquer forma, há, com certeza, muito mais do que aviões a jato nos ares. Pois, vejam: a Transamérica, onde Airton trabalha, viu seus clientes (patrocinadores de programas e anunciantes em geral) bombardeados por e-mails atacando Airton e pedindo que deixem de anunciar na emissora.

Identificar os remetentes deve ser tarefa para especialistas, gente com o famoso Wanderson Castilho, por exemplo.

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CARTAS

(correspondências para a coluna: aroldo@cienciaefe.org.br)

SOBRINHO EXPLICA POSIÇÂO SOBRE LILY SAFRA

Lily Safra

A propósito de informação que a coluna publicou no último dia 26, sobre decisão judicial que proíbe a venda de livro biográfico de Lily Safra, decidida pela juíza da Sétima Vara Cível de Curitiba, medida liminar resultante de reclamação do sobrinho da bilionária, advogado Leonardo Watkinson, registro a seguinte carta que me foi enviada pelo referido causídico:

Sou totalmente favorável à publicação de biografias sem qualquer autorização, desde que o autor se atenha aos fatos verdadeiros; à obtenção lícita da informação; e à trajetória pessoal do retratado com dimensão pública. A biografia da Sra. Lily Safra não atende a nenhum desses requisitos.

O vil propósito de tal biografia é ardilosamente “plantar” um personagem do submundo carioca, que seria um segurança de galpão do subúrbio, sem ganhos lícitos e com características para figurar em qualquer romance policial, para tentar desviar a atenção da real história da Sra. Lily Safra.

Para dar credibilidade ao personagem fictício a autora se apropriou criminosamente do nome do meu pai, Artigas Watkins, que era arquiteto, industrial do setor ferroviário e engenheiro da Caixa Econômica Federal, e nunca teve qualquer proximidade com nenhum dos vários maridos de sua irmã Lily.

Tendo pleno conhecimento dos ilícitos contidos no livro (que classifico como uma fraude aos leitores), a Harper Collins o publicou apenas no exterior, na certeza da impunidade, e nunca cogitou de publicá-lo no Brasil, nos três longos anos que separam o seu lançamento da liminar da Justiça paranaense.

Por outro lado, a inconfessável proximidade entre o grupo News Corporation — que controla a editora Harper Collins e o jornal New York Post, para o qual a escritora trabalha — e a Sra. Lily Safra (que necessariamente autorizou a foto da capa e compartilha o mesmo advogado para questões relativas ao livro) revela a real intenção do livro: emprestar credibilidade a uma farsa, através do rótulo de biografia “não autorizada”. Quanto à posição do Tribunal de Justiça do Paraná, sugiro a leitura do acórdão unânime da 7ª Câmara Cível que consta do processo.

Leonardo Watkins, Curitiba.

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O volume 5 da coleção Vozes do Paraná, um apanhado de nomes paranaenses que estão fazendo o dia a dia do Paraná de hoje, pode ser adquirido na livraria do CHAIN, no site RoseaNigra.com.br ou com o autor: (41) 3243-2530 e (41) 8809-4144 (Hélio).
Os paranaenses que têm vida e obra registrados nesse livro-documento de autoria do jornalista Aroldo Murá G. Haygert que é Vozes do Paraná 5 são: Adélia Maria Woellner, Antenor Demeterco Jr., Carlos da Costa Coelho, Carlos Harmath, Carlos Jung, Carlos Marassi, Cassiana Lacerda, Creso Moraes, Domingos Pellegrini Jr., Edson José Ramon, Eduardo Rocha Virmond, João Casillo, João José Bigarella, Pe. Joaquin Parron, Newton Freire-Maia, Oriovisto Guimarães, Oscar Alves, Raul Anselmi Jr., Sabine Wahrhaftig, Segismundo Morgenstern, Sergio S. Reis e Sonia Lyra.
Há atualizações biográficas de personagens de livros Vozes do Paraná anteriores: Airton Cordeiro, Fábio Campana, Fernanda Richa, Gustavo Fruet, Luiz Carlos Martins e Wilson Picler.
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Esta coluna é publicada diariamente no jornal Indústria&Comércio.

Para acessar a coluna diretamente, basta acessar

http://www.icnews.com.br/editoria/colunistas/aroldo-mura
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