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Hospital Evangélico com vida nova: a verdade dos números

 

João Jaime Nunes Ferreira: o homem dos números

1 - A leitura de relatórios geralmente é tarefa enfadonha, os números ‘massacrantes’, os detalhes muitas vezes só interessam aos envolvidos diretamente no projeto enfocado.

O da Sociedade Evangélica Beneficente (SEB), de 2012, assinado pelo presbítero João Jaime Nunes Ferreira, seu presidente, ganha nova configuração, numa leitura de agora, especialmente porque ajuda a se compreender a obra de recomposição do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba empreendida pela nova direção da SEB e os seus conselheiros, enfim libertados de um jugo que se arrastou por duas décadas.

O documento mostra a SEB vencendo borrascas herdadas de grupos político-partidários, e de efeito retardado como foram as situações creditadas à ação da médica Virgínia Soares numa das quatro UTIs da instituição.

TRAVESSIA DO MAR VERMELHO

2 - Impossível ficar alheio à abertura do relatório. A começar pela mensagem inicial, assinada pelo presidente da SEB, encimada por trechos do Salmo 37, aquele que fala na necessidade de confiança no Senhor e ordena que se faça o bem: “Faze o bem…”

A declaração de abertura chega a ser comovente:

“Com temor e tremor, ombreado por uma Diretoria comprometida em oração e ação temos buscado vencer os desafios de reposicionar a instituição, econômica e financeiramente, não imaginando figurar em capas de revistas ou jornais como melhor ou maior, mas sim como testemunho vivo do poder e glória do Senhor nosso Deus.

“O Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, obra do coração do Deus vivo, tal qual a travessia do mar vermelho, a queda dos muros de Jericó, assim é esta obra desde os seus primórdios.”

FACULDADE EVANGÉLICA

3 - No texto inicial, há ampla referência à “Faculdade Evangélica do Paraná, partícipe fundamental desta grande obra, e que tem recebido todo apoio para, desenvolver suas atividades com a qualidade que outrora a tornou referência nacional, tanto na graduação quanto na pós-graduação, em especial Stricto Sensu.”

E cita também “o Centro de Educação Profissional Evangélico – CEPE, celeiro de profissionais da mais alta competência, agora funcionando junto a Faculdade, tem recebido apoio para desenvolver planejamento com vistas à ampliação de suas ações e por consequência dar maior suporte nas necessidades dos quadros do HUEC”

“TUDO É MENSURÁVEL”

4 - João Jaime Nunes Ferreira é o homem dos números, dos balanços, dos relatórios, das contas. Na tradição católica, ele estaria de alguma forma identificado com Santo Antonino, que é patrono dos juízes; e também muito invocado pelos contadores. Viveu no século 14 em Florença e a par de seu conhecimento teológico (Suma Moralis) voltou-se para realidades sociais: e ensinava que o Estado tinha o dever de intervir nos negócios comercias de bem comum, para ajudar os necessitados e desafortunados.

Ele foi um dos primeiros cristãos a ensinar que o dinheiro investido no comércio e indústria era um verdadeiro capital, assim era ilegal não usá-lo no interesse do país e seu povo, mas também era ilegal cobrar juros sobre ele e foi um forte oponente da usura.
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O Hospital Evangélico renasce

João Jaime é o calvinista típico, defensor da livre empresa, aceita o juro, está naquela linha analisada por Max Weber: a riqueza é sinal de bênção do crente no Senhor. Bênçãos que devem, necessariamente, decorrer de labor intenso.

A visão cristã de João Jaime é sólida.

Topa, por exemplo, analisar a presença dos presbiterianos na História do Brasil, embrenha-se na presença de Villegaignon, século 17, e depois a dos holandeses protestantes em Pernambuco. Com passagem, é claro, por João Manuel da Conceição, o grande divisor d’água do mundo evangélico brasileiro, no final do século 19.

E enquanto me expõe os números com que o bom entendedor percebe um autêntico renascimento do Hospital Evangélico (foram meia dúzia de casos que resultaram em óbitos suspeitos numa das 4 UTIs, em meio a milhares de enfermos que por lá passaram), João Jaime a mim parece um pouco Tomás de Aquino. Acentua bastante os números de seu relatório, concordando comigo quando cito o autor da Suma Theológica: na vida tudo é mensurável. O bem e o mal são mensuráveis.

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Abelardo Lupion

NUNCA NA MESMA MESA

Definitivamente, não convidem para a mesma mesa os deputados André Zacharow – que por 20 anos comandou o Hospital Evangélico de Curitiba – e Abelardo Lupion.

Estranhamentos recentes entre os dois selaram o distanciamento que existia há tempo, segundo fontes de Brasília.

O que se sabe é que Lupion tem um comportamento abertamente claro sobre a maneira de conseguir recursos (através de emendas parlamentares) a instituições como o Hospital Evangélico.

JORNAL É O MAIS CONFIÁVEL

A Havas, uma das mais importantes agencias de relações públicas do Reino Unido, encomendou à Yougov Sixth Sense, empresa de pesquisa de opinião, uma pesquisa sobre os meios de comunicação mais confiáveis para os britânicos.

Deu disparado os jornais, mais confiáveis para a maior parte dos britânicos do que o Facebook. Dois terços dos ouvidos disseram confiar no que lêem em jornais e menos de um quinto confia no que lê em rede social.

Para assuntos locais, a pesquisa indicou que 67% preferem jornais da cidade e 35% ficam com o rádio.

JORNAL É MAIS CONFIÁVEL (2)

Da mesmíssima área: a revista britânica The Economist acaba de publicar uma ampla matéria sobre a crise vivida pela mídia brasileira, com demissões e ajustes especialmente em jornais. Atribui o fato às dificuldades econômicas que o país atravessa.

Para a revista britânica, a chegada de novos leitores, esperados com a ascensão da chamada nova classe média, não ocorreu. Esse grupo – geralmente com baixa escolaridade ou mal escolarizado – preferiu as redes sociais. Estas, por sua vez, nos recentes episódios das manifestações de rua no país, diz ainda a revista, guiaram-se pelas informações apuradas basicamente por jornais como O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.

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NA TOCA DO COELHO

(espaço de Antonio Carlos Costa Coelho)

MAIS UMA DO MANOEL RIBAS

A história é conhecida, mas é boa. É uma das tantas sobre Manoel Ribas. O interventor gostava de acordar cedo e cedo chegava à casa dos amigos.

Contava Neusa Leitão, mulher de Rozaldo Leitão, prefeito de Curitiba nos anos 40, que frequentemente Manoel Ribas chegava antes das seis da manhã na sua casa. Ele vinha para o café e para conversar com o Rozaldo.

Mas, num certo dia, um homem da terra chegou antes do interventor.

Precisava de alguns favores que só um homem de poder poderia atendê-lo.

Manoel Ribas

Chegou e ficou esperando do lado de fora do palácio. Manoel Ribas chegou e viu aquele tipo na entrada. Perguntou o que ele queria. Respondeu que precisava falar com o interventor. Manoel, percebendo que o homem não o tinha reconhecido, deu uma sondada nos seus  interesses: Posso saber qual é o assunto que o senhor tem a tratar com o interventor? – Preciso que ele me dê uma mão para conseguir um empréstimo. Preciso de crédito para plantar. – Mas, se ele não te atender, como ficará? Ah! Aí eu mando ele pra p.q.p.

Manoel Ribas subiu para seu gabinete. Lá pelas tantas, depois de umas duas horas, pediu ao Coronel Scherer para chamar o tipo. Quando o interessado entrou na sala do interventor portou-se como não o conhecesse. Manoel Ribas voltou a perguntar o motivo da sua presença, ouviu a resposta e perguntou. “Bem, mas se eu não te atender? Respondeu o homem: aí doutor, aí fica conforme ‘nois cumbinemo’ lá embaixo.“

OPINIÃO DE VALOR

HOSPITAL CONCEIÇÃO, UM ‘PÁTIO DE MILAGRES’

Sou médica residente do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre. Trabalho em um setor do hospital que tem pouco contato com os pacientes, na área de exames e laboratório.

Hoje estive na emergência munida de uma câmera de celular e provavelmente receberei retaliações administrativas por esta atitude. Alegaram-me, como é de conhecimento de todos, que não se pode fotografar ou filmar pacientes sem o consentimento destes. Curioso é que ter a imagem vinculada ou não nos meios de comunicação me parecia o menor dos problemas daquela gente; os pacientes ficam em cadeiras de espera de plástico, não por horas, mas por dias e noites. São internados para tratar de suas doenças e ali permanecem, dormindo sentados em corredores cheios de outros pacientes na mesma situação. Há velhinhos de fralda, sem calças, incontáveis soros pendurados nas paredes. Gente no chão.

Os lamentos se misturam com frases dos médicos e enfermeiros, como “Senhor, infelizmente não tem vaga nem leito, você vai ter que ficar aqui mesmo”, “Como passou a noite senhor fulano?! Sua pressão continua alta, o senhor não tinha remédio no posto para tratar a pressão!?!” e “Faz esse curativo como dá, não tem mais esparadrapo no hospital”.

As fotos e as filmagens que fiz ficarão no meu arquivo pessoal. Tenho imagens de uma mãe pedindo para que filmasse sua filha de dezesseis anos com um grave problema nos rins, sentada lá, sem acesso ao tratamento que no caso dela, garante a sobrevivência. Ouvi esta mãe dizendo “por favor, filma, não tem tratamento, não tem hemodiálise, ela tem dezesseis anos, faz alguma coisa”. Dói.

Se antes pensar que o dinheiro público é usado para construir estádios e que a saúde, a segurança, o transporte, o saneamento são precários me dava raiva, agora me dá náusea.

Sempre achei que impeachement ou quaisquer medidas drásticas não eram a solução, mas hoje não consigo imaginar outra forma de tentar ajudar o povo do qual eu faço parte. Acho que estamos todos “na gota d’agua”. Ao meu ver, quem delegou verbas pra gastar com a Copa e deixa o povo nessas condições cometeu um crime hediondo.

Se você também sofre ao ver o povo tomando tiro de bandido, vivendo em favela com esgoto à céu aberto, sendo tratado na sala de espera dos hospitais, andando em ônibus lotado, pagando imposto, imposto, imposto e sendo enganado com bolsa família, tome uma atitude. Não consigo mais ficar quieta sabendo que o governo dá bolsa ao presidiário e faz o trabalhador gastar quatro meses de salário para pagar os impostos.

Agora eu pergunto à todos que leram este meu relato:

Realidade do atendimento médico em hospitais do Brasil

Eu não aguento mais ficar de braços cruzados, e vocês? O que é que vamos fazer para por um fim nisto?

Laura Zanchet.

(Este texto foi enviado à coluna pelo professor de Medicina e ex-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Oscar Alves.

Ele é o presidente do Conselho Estadual de Educação do Paraná).

O título da matéria é de responsabilidade da coluna.

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O volume 5 da coleção Vozes do Paraná, um apanhado de nomes paranaenses que estão fazendo o dia a dia do Paraná de hoje, pode ser adquirido na livraria do CHAIN, no site RoseaNigra.com.br. ou com o autor: (41) 3243-2530 e (41) 8809-4144 (Hélio).
Os paranaenses que têm vida e obra registrados nesse livro-documento de autoria do jornalista Aroldo Murá G. Haygert que é Vozes do Paraná 5 são: Adélia Maria Woellner, Antenor Demeterco Jr., Carlos da Costa Coelho, Carlos Harmath, Carlos Jung, Carlos Marassi, Cassiana Lacerda, Creso Moraes, Domingos Pellegrini Jr., Edson José Ramon, Eduardo Rocha Virmond, João Casillo, João José Bigarella, Pe. Joaquin Parron, Newton Freire-Maia, Oriovisto Guimarães, Oscar Alves, Raul Anselmi Jr., Sabine Wahrhaftig, Segismundo Morgenstern, Sergio S. Reis e Sonia Lyra.
Há atualizações biográficas de personagens de livros Vozes do Paraná anteriores: Airton Cordeiro, Fábio Campana, Fernanda Richa, Gustavo Fruet, Luiz Carlos Martins e Wilson Picler.

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Esta coluna é publicada diariamente no jornal Indústria&Comércio.

Para acessar a coluna diretamente, basta acessar

http://www.icnews.com.br/editoria/colunistas/aroldo-mura
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