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De como Pellegrini foi da TFP por um dia apenas

 

O escritor Domingos Pellegrini, leitor atento e colaborador da coluna, manda um precioso relato sobre sua experiência de um dia na TFP de Curitiba, quando ainda menor de idade. Foi “fisgado” numa escola e diz que, naquelas circunstâncias juvenis, iria, se convidado, até à Lua.

Pellegrini amplia as informações que a coluna registrou ontem sobre a organização integrista, ultraconservadora, sociedade civil que, na verdade, nunca teve vínculos com a hierarquia da Igreja Católica, a que abominavam seus diretores. Eis o relato do escritor:

“ Prezado Aroldo Murá,

Fui da TFP – por um dia! Em 1966, fazia o Curso Clássico no Instituto Filadélfia, em Londrina, quando passaram pelas salas dois sujeitos de paletó e gravata, cabelos tão brilhantinados e penteados à Mandrake que pareciam capacetes, convidando para um “conclave filosófico” em Curitiba, com passagem e estadia. Eu, que viajaria até para a Lua se me convidassem, levantei o braço. Na rodoviária, juntei-me a outro menor de idade como eu, o Norberto, que tinha um braço defeituoso, que usava para pitar cigarros um depois do outro, naquele tempo fumar era sinal de atitude e macheza.

OS ENGRAVATADOS

Os engravatados tinham visitado nossos pais, com quem pegaram autorizações, e lá fomos nós, viajando de ônibus à noite com um deles. Em Curitiba, num palacete,  no começo da manhã começamos a ouvir palestras inesquecíveis no pior sentido, como uma defendendo a virgindade de Maria e outra atacando a arquitetura moderna, que usa vidros e assim devassa o interior de residências e prédios. No intervalo para o lanche, Norberto puxou um cigarro, que horrorizou os tefepistas, e foi avisado de que era proibido fumar, nome de uma música do Roberto Carlos que fazia sucesso na época e Norberto disse que era a única música do Roberto de que ele não gostava…

JOVENS QUE PARECIAM VELHOS

José Antonio Pedriali: “pulou fora”

Almoçamos num república, com jovens engravatados com pouco mais idade que nós, mas que pareciam velhos, tão rígidos e formais, rezando antes e depois de comer.

Daí nos levaram para vender apostilas contra o comunismo, na Praça Tiradentes.

Graças a Deus (pois é…) meu pai, que tinha ido ver o Londrina jogar contra o Coritiba, passou de carro e nos viu, marcamos de nos encontrar ali depois do jogo.

No palacete, jogamos nossas malas num terreno baldio dos fundos, fugimos, demos a volta no quarteirão,  pegamos as malas e fomos a pé encontrar meu pai no ponto marcado.

Contei essa história no prefácio do livro Os Guerreiros da Fé, do escritor londrinense José Antonio Pedriali (cujo romance Fuga dos Andes recomendo  vivamente).

Pedriali foi da TFP, porém com inteligência suficiente para pular fora logo, e coragem bastante para denunciar aquela máquina de lavagens cerebrais Abraço! Domingos Pellegrini”, Londrina.

 

 

CARTAS


SOBRE REGINA CASILLO

Do empresário Eurico Borges do Reis, da área imobiliária, de Curitiba: “Caro, Aroldo Murá, Parabéns pela nota a respeito da Regina Casillo! Além de toda a cultura que possui e que faz questão de dividir com todos os amigos e  freqüentadores do Solar do Rosário,ainda possui uma visão de marketing extraordinária. Há alguns anos,a PORTOFINO ENGENHARIA,então dirigida por mim, lançou um condomínio de altíssimo nível,o Village Moudon,no Solar do Rosário,como uma “obra de arte”! Na ocasião,a Regina coordenou um grupo de 20 pintores paranaenses de renome e cada um deles pintou quadros da paisagem belíssima do Condomínio,com total liberdade de criação. Cada cliente, ao adquirir uma unidade,escolhia um quadro de sua preferência. Até hoje,passados mais de dez anos,as pessoas ainda comentam do sucesso e ineditismo de termos lançado um empreendimento imobiliário no Solar do Rosário! Obrigado,Regina e abraços para o Casillo! Eurico Borges dos Reis”.

O DESESPERO DO ABANDONADO DEROSSO

“Prezado Jornalista:

Aquilo que aconteceu ontem na Câmara de Curitiba, com João Cláudio Derosso, ex-presidente da Casa, jogando janela abaixo (quatro andares) o microfone de um humorista do CQC, é mesmo revelador. Mostra que o Derosso poderoso de outrora, paparicado por governantes, por seus pares e uma multidão a quem garantia “mensalitos” de todos os tipos, perdeu mesmo as estribeiras. Tudo porque, às vésperas de uma condenação pela justiça (?), foi abandonado por todos. O último abandono me surpreendeu mais do que todos dos quais Derosso foi vítima: a mulher, Cláudia, pivô da crise ética que derrubou o ex-presidente da Câmara, agora é apresentada como “ex-mulher” dele. Eu  que pensava já ter visto de tudo… Markos Kleiman Piccolli”, Porto Alegre, RS

NÃO DEFENDO DEROSSO, MAS…

“Senhor jornalista, Não defendo Derosso. Acho que ele esteve sempre na média dos políticos de Curitiba, isto é: despreparado emocional, ética e politicamente para defender os interesses da cidade=modelo que somos. O que me chama atenção é que veículos de comunicação que, por anos, se banquetearam com recursos financeiros liberados por Derosso, em forma de anúncios ou empregos para comunicadores de suas redações, agora voltem-se, como Catães (ou Catão?),  a acusar o derrotado Derosso. No que, na verdade, agem da mesma forma que o resto da sociedade nossa está agindo com relação ao rei morto. Margarita P.S.Angustifolia”, Curitiba

ESCRITOR  NA BIBLIOTECA

Domingos Pellelegrni estará dia 15 no Projeto Escritor na  Biblioteca, da Biblioteca Pública do Paraná. Um dos nomes da literatura nacional, Pellegrini esteva na primeira edição do projeto da BPP, realizado em 1985.  Assim como Fernando Morais, Pellegrini volta ao projeto para falar sobre sua relação com as bibliotecas, leitura e, também, de sua extensa obra.

PELLEGRINI DE MUITOS VALORES

Paranaense de Londrina, Domingos Pellegrini é romancista, contista, cronista, poeta, jornalista e publicitário.  Venceu o Prêmio Jabuti de 1977 já com lsue primeiro livro de contos, O homem vermelho. As narrativas de tropeiros, mascates e viajantes que passaram pela barbearia de seu pai e pela pensão comandada por sua mãe são a base de seus contos e de seu universo romanesco.  Lançou seu primeiro livro de poesias, Gaiola Aberta, em 2005, com versos escritos no decorrer dos últimos 40 anos.  Seu mais recente romance é Herança de Maria, publicado em 2011.

Serviço :

Um Escritor na Biblioteca – Domingos Pellegrini. Local : Biblioteca Pública do Paraná. Data : 15 de maio, às 19h. Gratuito.

DOIS MARANHENSES QUE ADOTARAM O PARANÁ

No edifício número 503 da Rua Marechal Deodoro – tão caro à minha mocidade, endereço de vários amigos, em outros tempos – fui encontrar a sede do Portal Aqui Brasil. E muito mais do que conceder uma ampla entrevista sobre meu livro Vozes do Paraná 4, lá encontrei dois tipos humanos muito especiais: Mhario Lincoln e João Batista do Lago.

O primeiro, jornalista, é  diretor geral do Portal que se inclui hoje (segundo estatísticas e aferições muito confiáveis, científicas) entre os mais acessados da blogfera nacional. O segundo, jornalista também, é o seu  editor chefe. Ele tem  formação universitária em Letras, recebida na terra do excelente domínio do Português, o Maranhão, o Estado natal dos dois.

O que mais me impressionou não foi a organização do site, com um punhado de jovens bem equipados para o metier, mas a inserção na vida do Paraná que os dois mostram. Tudo que significa conhecer as raízes do Paraná, sua história, sua gente e suas riquezas interessa aos comandantes do Portal Aqui Brasil.

O arquivo de entrevistas com personalidades de nossa história atual é amplo, Mhario Lincoln calcula em 300, colhidas ao longo de quatro anos, à disposição dos interessados com vídeo e áudio.

CENTRO DE TRADIÇÕES

Lincoln, advogado, com obras de Direito publicadas, fiscal de Rendas do Maranhão, aposentado, também graduado em Jornalismo, vem se família de forte tradição jornalística no Maranhão natal. A mãe, por dezenas de anos teve programas na SBT de São Luiz, e ele também atuou lá em rádio, jornais e TV.

Lago não é menos fértil na afinidade com os meios de comunicação. Teve posição importante no Governo estadual, ao assumir a Secretaria de Comunicação Social do Maranhão, no Governo José Castelo. Mas há 10 anos, pelo menos, vive no Paraná, que conhece muito bem, tendo transitado por várias regiões do Estado.

De Lincoln e Lago vem a sugestão-ideia, que prometem materializar: criarão o Centro de Tradições Paranaenses. Nada a ver, no entanto, com os CTGs gaúchos, que dão ênfase ao folclórico. Na verdade, querem criar um centro que aglutine gente interessada estudar esse Paraná  que os encantou. E o estude em todas as suas dimensões, no dia a dia.

NB: esta coluna é reproduzida no Portal Aqui Brasil, todos os dias.

VOZES DO PARANÁ 4

José Dionísio Rodrigues: expoente do mercado publicitário do Paraná

Do meu livro Vozes do Paraná 4,  eis alguns trechos do perfil de José Dionísio Rodrigues, criador e dirigente maior do Grupo OM (OpuisMúltipla) de Comunicação, hoje uma potência da publicidade e comunicação do Paraná:

“Dizer que José Dionísio Rodrigues era um predestinado a dar certo, segundo a ótica do capitalismo, seria errado. Acho que ele foi bem o contrário, todo resultante de árdua construção, empurrada pelo atavismo, nem sempre percebível a olho nu, dos ancestrais distantíssimos; fruto também de não identificados “empurrões” atávicos dos parentes de outros séculos, que deixaram, no seu DNA, muitas pistas mouras, marcas de homens e mulheres habituados a mourejar (rima apropriada) no mundo ibérico por centenas de anos.

A linguagem e a lógica rurais da Serra da Travanca do Mondego, Portugal, a terra natal, compunham seu mundo essencial e sob cuja ótica dimensionava o universo.

As limitações geográficas e a espremida realidade cultural daquele canto esquecido da Europa dos anos 1950 não prometiam manás. O tempo ali corria de forma monocórdia, com a placidez da imutabilidade física e a inércia/ausência de projetos pessoais consistentes. Compensavam tantas limitações o espírito fraterno reinante e a afetividade transbordante daquele povo, além de sua capacidade de trabalho e de viver ordeiramente, segundo a lei do Senhor.”

O HECTARE

E, noutro trecho, diz o livro:

“A pequena propriedade rural era de pouco mais de um hectare, mas tinha que ser produtiva. Dela a família chefiada por Alexandre cultivava o parreiral — e da uva fazia o vinho tinto para consumo da casa e visitas. Daqueles dez mil metros quadrados, havia que se garantir o sustento da família de cinco pessoas: plantava-se milho, trigo, batata. Algumas cabeças de ovelha e cabras também dividiam o espaço exíguo, para oferecer o leite diário e às vezes, para dias de festas, a carne imprescindível.

Tratava-se de típica agricultura familiar, pois, e muito rentável.”

O APRENDIZADO NO NORTE

Maisa adiante:

“José Dionísio Rodrigues, 65, viveu seus primeiros dez anos de vida assim (1947 a1957), nesse clima um tanto romântico, espiritualmente repousante, material e culturalmente mortiço, na Travanca do Mondego, parte do Concelho de Penacova, região de Beira. Fica entre a Serra da Estrela (onde neva no inverno) e Figueira da Foz, à beira-mar, a160 quilômetrosde Lisboa.

Mas alguém duvida de que foi um tempo fértil? Não posso duvidar. Até porque acredito que J.D. Salinger tinha razão: é das ostras “doentes” que nascem as grandes pérolas.

O pai, Alexandre Rodrigues (já falecido) e a mãe, dona Maria da Assunção, octogenária, um dia resolveram promover uma visceral mudança em seus destinos. Decidiram mudar-se para um “Eldorado” incipiente, que estava atraindo ao Brasil milhares de patrícios seus e fazendo a fortuna de muitos deles.

Com pequena poupança familiar, Alexandre veio na frente, chegando a Floraí, Norte do Paraná, próximo a Paranavaí, em 1953. Por coincidência, ano que os paranaenses comemoravam o centenário de emancipação política do Estado. Mas ele nem desconfiava dessa emancipação que, de alguma maneira, poderia estar prenunciando a sua emancipação e a de toda sua família.

Dentro da tradição lusa, Alexandre mudara-se a chamado de um irmão, que estava estabelecido em Floraí com casa de secos e molhados. E com ele tratou de aprender as artes do comércio. Saiu-se bem. Quatro anos depois, dominando os segredos do negociar atrás do balcão, mudou-se para Araruna, ao lado de Campo Mourão. Em sociedade com o mesmo irmão, abriu o seu negócio de secos e molhados.

Em 1957, já seguro na sua descoberta do Brasil do século 20, o pai de família chamou Maria da Assunção e os miúdos José Dionísio, o mais velho, Antônio Jerônimo e Maria Adília.”

MEU LUGAR É AQUI

A seguir, no perfil de Rodrigues, em Vozes do Paraná 4:

“A família juntou-se naquele ano. Repetia, assim, passos de outros milhares de migrantes e imigrantes, portugueses ou não, que chegavam de muitos quadrantes do mundo e do Brasil para trabalhar uma das fases mais férteis da colonização do Norte do Paraná. O café era o ouro verde absoluto, gerava milionários, garantia o primeiro lugar na nossa balança comercial.

Educação era a palavra chave — sabia seu Alexandre —, para introduzir o filho Dionísio e os irmãos à nova pátria e às inovações de que, embrionariamente, ouvia falar, como a televisão e, depois, o processo de industrialização do país. Era o Brasil que partia para as montadoras de automóveis, então entendidas como cartão de identidade do mundo moderno.

Até por isso, os esforços familiares concentraram-se em garantir a José Dionísio o Ginásio, pelo menos, num colégio padrão.

O escolhido foi o Colégio São Vicente de Paulo, em Irati, cenáculo dirigido por educadores exemplares, vindos das Minas Gerais, padres da Congregação da Missão, ou lazaristas (de formação francesa). Para lá acorriam muitos dos filhos das elites do interior paranaense e os filhos dos pioneiros que construíam fortunas e davam nova configuração às regiões Oeste, Sudoeste, Sul, Nordeste e Norte do Paraná.

Depois, dois anos do curso Científico (ensino Médio) seriam feitos em Assis e o terceiro ano nos Estados Unidos — aquele que, acredito, foi o grande modelo desse “tycon”.

Do São Vicente de Paulo guarda uma “saudade gostosa”, sublinhada, por vezes, pela memória dos chutes certeiros do padre Nicolau, campeão no carinho dos jovens e um zagueiro que não tirava a batina nem para fazer os gols. Naquele espaço cheio de vestígios e sinais de catolicismo seguro e conservador forjou amizades que ficaram, mas especialmente houve a descoberta de um mundo de conhecimentos em célere marcha, naquele começo dos 1960.

UM PRIVILÉGIO

José Dionísio foi ganhando parada por parada, engolindo os desafios pelas bordas. Daquele distante 1957 ao Brasil de hoje, ele foi um privilegiado, observando as grandes mudanças do país escolhido, pátria de Marília Helena, a quem conheceria em 1968 (ela estudava Geografia na UFPR) e dos filhos do casal. Dois deles estão no mundo da publicidade, José Henrique (36) e Rodrigo (38). Camila (28) graduou-se em Biologia, fez a Cordon Bleu em Londres, escolheu definitivamente o magistério da culinária de alto padrão. Essa introdução toda resumiria uma vida? Claro que não, pois José Dionísio anda célere, não dá tempo para que se consolidem seu perfil e sua biografia. A inquietação laboral, essa sim é imutável nele.”

O livro prossegue com ampla abordagem da história de vida de Rodrigues, seus feitos, conquistas, planos, projetos. E muitas fotos que documentam uma vida de venmcedor.

BRASILEIRO É O NOVO VIGÁRIO GERAL DOS PADRES SALETINOS

Padre Adilson Schio, que por 12 anos trabalhou no Instituto Nossa Senhora da Salette, aqui em Curitiba, foi eleito o novo vigário do Conselho Geral dos Missionários de Nossa Senhora da Salette. Em assembléia realizada nos Estados Unidos, no início de maio, que reuniu todos os dirigentes da congregação, o gaúcho Adilson Schio, de 48 anos, foi escolhido para o Conselho dos padres saletinos, por um período de seis anos. Segundo Padre Isidro Perin, coordenador provincial da Congregação, Padre Adilson –  que no início deste ano havia sido transferido para a cidade gaúcha de Marcelino Ramos, para trabalhar na formação dos jovens seminaristas –  vai continuar esse trabalho até janeiro de 2013, quando então passará a residirem Roma.  O ConselhoGeral, agora eleito, além do  brasileiro, está composto por  padres  oriundos da Itália, Estados Unidos, Polônia e Filipinas. Os quase mil missionários saletinos, como são conhecidos, estão em 27 países, da América do Sul à América do Norte, da Europa à África, da Ásia à Oceania. “Esta missão é por demais importante em minha vida e demonstra o reconhecimento pelos trabalhos que a Província Brasileira dos Saletinos está realizando”, diz o novo vigário.

 

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