Torta de chocolate
Quem olhar para a capa do livro TORTA DE CHOCOLATE NÃO MATA A FOME (editor NVersos, 2012) pode pensar que é um livro de cozinha, mas ao reparar na linha seguinte: Inspirações para a vida, o trabalho e os relacionamentos, verá que se trata de um livro de aconselhamentos escrito pelo consultor e coach de líderes Abraham Shapiro. O trabalho gráfico é excelente e o leitor sentirá prazer em ler os conselhos do coach, pois ele mesmo se considera um profissional que ama a simplicidade. E o livro também segue esse caminho com exemplos práticos, com orientações sobre atitudes que podem ser tomadas para melhorar o dia a dia. Shapiro induz o leitor a repensar a sua vida e o poder de renovar-se, de tentar novas escolhas, seja no mundo profissional, social ou familiar.
No capítulo “Valor”, por exemplo, o autor conta que estava com dois clientes em um restaurante quando sentiu um cheirinho gostoso de pão quente. O garçom percebeu o seu interesse e imediatamente colocou um prato sobre a mesa, sem que ninguém solicitasse, dizendo que havia percebido o interesse pelo pão. O garçom ganhou uma ótima gorjeta e ganhou clientes.
O capítulo fecha com uma reflexão: o garçom teve atitude. “Deliberada atitude. Planejada e consciente atitude”.
O livro nos leva a pensar que a vida se faz de pequenas coisas, mas essas pequenas coisas quotidianas vão se somando e no final de um ano dão resultados. Se a experiência é aproveitada, os resultados aparecem. Os pequenos momentos, sejam eles na vida profissional ou na família, tornam-se mais motivadores, mais satisfatórios.
A vida de uma pessoa pode melhorar muito aplicando técnicas simples. Olhando o trabalho, os clientes, a família, os amigos e as instituições com uma visão diferente. No capítulo Você sabe tudo?, Shapiro fala: “… há algo que devemos buscar com o maior afinco o quanto antes, não importa a idade que tenhamos. É a compreensão”.
Na apresentação, João Batista Dornelles esclarece: “Torta de Chocolate não mata a fome, livro cheio de aconselhamentos verdadeiros sobre dificuldades que nos podem surgir em diferentes épocas da vida, pode ser a chave que abre a porta dessa mudança completa”.
Cada página de TORTA DE CHOCOLATE não mata a fome é dedicada a um assunto diferente. Um livro fácil de ler e com orientações, um livro com ideias de coaching que qualquer leitor pode entender e aplicar na sua vida.
O PIOR DO ATOR DO MUNDO: ADAM SANDLER
Decidi escrever sobre Adam Sandler influenciada por uma conversa com algumas amigas sobre o Framboesa de Ouro. Estávamos numa confeitaria deliciando-nos com bolo de chocolate quando surgiu a conversa sobre o filme “Cada um tem a gêmea que merece”. Uma das minhas amigas achou o filme muito sem graça. Outra disse que o filme é ruim, mas não é o único filme ruim de 2011. Já minha amiga que é professora de alunos de nível médio pensa que é bullying o fato de Adam Sandler ter ganhado sozinho nas categorias: pior ator, pior atriz e pior dupla. Isso pode acabar com a carreira de qualquer pessoa.
Comentamos que o comediante tinha uma carreira. Agora não será fácil para ele. Será que é divertido acabar com outros? Humilhar? Acabar com as chances que o outro tem em alguma profissão?
O Framboesa de Ouro é uma paródia do Oscar, um antiOscar poderíamos dizer, premia os piores filmes, atores, roteiros, etc.O idealizador do prêmio foi John Wilson. Ele iniciou a “premiação” nos anos 80.
O prêmio dos piores do ano não perdoa nem aqueles considerados grandes diretores como George Lucas, nem atores ganhadores de Oscar como Angelina Jolie, Michael Caine, Nicole Kidman, Nicolas Cage, Anthony Hopkins e muitos outros.
Nem Luciano Pavarotti conseguiu escapar do Framboesa, ele foi indicado em 1983 pelo filme Yes, Giorgio. Luciano ficou muito deprimido e nunca mais teve coragem de tentar carreira de ator.
O Framboesa de Ouro ao longo dos anos foi destruindo a carreira de alguns bons atores. No caso de Sean Connery, que foi indicado ao Framboesa de Ouro por Os vingadores (1998), ele fez mais dois filmes, que foram criticados, e desistiu do cinema desiludo com Hollywood.
Em 2011, aconteceu algo inusitado. Sandra Bullock, a menina de ouro, demonstrou que não seria o Framboesa de Ouro que acabaria com a carreira dela, não! Ela foi receber o prêmio. Corajosa, foi muito aplaudida. Poucos dias depois foi aplaudida na festa do Oscar. Como pode a mesma pessoa ser a pior e a melhor do ano? Vergonha para John Wilson. Errou feio, não é mesmo?
Talvez por isso, neste ano mudou a data do Framboesa de Ouro, agora é no 1º de abril, depois do Oscar. E, além disso, tinha que esculhambar alguém, mas esculhambar mesmo! O público esquecesse a vergonha do erro cometido contra a Sandra Bullock. Derrubar em uma só tacada Adam Sandler e Al Pacino era algo que o Framboesa não queria perder.
(Continua).
* Isabel Furini é escritora e poeta premiada. Autora de “Eu quero ser escritor: a crônica”, da editora Instituto Memória. Contato (41) 8813-9276.