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Contratam-se pastores para atender filão da fé

 

Quem não ouviu ainda pode ouvir o inacreditável diálogo mantido às 9h30 min de sexta-feira, 27, entre o comunicador Luiz Carlos Martins e um autoproclamado bispo de nova igreja pentecostal, a Global do Poder de Deus.  Basta acessar WWW.portal/radiobandab.com.br

O  radialista respondia a anúncio que a igreja publicara nos classificados da Gazeta do Povo pedindo pastores para atuarem na Região Metropolitana de Curitiba.

O bispo, que se identificou como Antonio José – e desconhecendo que a conversa estava sendo apresentada no ar pela poderosa emissora Rádio BandaB – fez perguntas ao candidato. Quis saber se ele (Luiz) tinha experiência no pastoreio de igrejas. Disse que dá preferência, na formação de seu plantel de pregadores  aos que  tenham  passado pelas Igrejas Universal e Mundial do Poder de Deus.

PASTORES DO POVÃO – 1

Essas duas igrejas, de perfil neopentecostal – a primeira com ênfase na Teologia da Prosperidade, e a segunda acentuando as curas de males físicos – são muito eficientes na arregimentação de massas de crentes, particularmente de populações da baixa renda (a Mundial) e populações carentes e de pequena classe média (Universal). As duas são também conhecidas pela eficiência com que conseguem que seus membros façam-se dizimistas das suas  igrejas.

A Universal pertence ao mesmo grupo da Rede Recorde, liderada por Edir Macedo.

PASTORES DO POVÃO – 2

Embora com pressa, pois disse estar com reunião em andamento, o bispo  José explicou que a Igreja é nova, tem origemem Ponta Grossae alguns templos no interior do Estado. O diálogo não permitiu aprofundamentos: o dono da igreja garantiu que a denominação está sendo instalada em São José dos Pinhais,  diante do que o radialista Luiz Carlos Martins deu um mote: “É, lá é uma cidade rica… cidade pobre não deve interessar”. O bispo respondeu: “Exatamente”.

PASTORES DO POVÃO – 3

As intenções do bispo e sua igreja são claras: instalar-se na Região Metropolitana de Curitiba, onde o filão da fé religiosa é evidente, sobretudo pela numerosa presença de novas igrejas, que não param de instalar-se na área. Fazem maior sucesso, naturalmente, as que prometem prosperidade material e curas. Na verdade, quase nada têm a ver com o protestantismo histórico, que se centra na chamada “ação de graças ao Senhor e na sua adoração”, como lembrou-me um pastor metodista de Curitiba, a quem consultei sobre as facilidades do chamado mercado religioso.  Ele me fez algumas preciosas observações sobre o chamado marketing religioso, e a disputa que se vai fazendo cada vez mais acirrada nesse mercado.

VOCAÇÃO RELIGIOSA?

Em nenhum momento o bispo Antonio José questionou o interessado sobre sua formação escolar, nem a religiosa.

Luiz é que se adiantou: disse conhecer bem o Novo Testamento e pouco o Velho. Mas isso não parece  ter interessado ao dono da Igreja Global do Poder de Deus. As credenciais são: ter passado pelas igrejas Universal e Mundial que, é evidente, aparecem como escolas de pastores.

Quanto à remuneração, respondeu que “depende” das diversas situações: se o futuro pastor for casado, terá uma remuneração; se solteiro, outra; se precisar alugar moradia, a Igreja dará um jeito – garantiu.

Luiz Carlos Martins prometeu “ligar à tarde”, o que, naturalmente não fez. Mas tenho certeza de que conseguiu um bom feito jornalístico, deixando à mostra de como é frágil – e deve ser lucrativa – a montagem de novas igrejas, especialmente em áreas tidas como ricas, como a Região Metropolitana de Curitiba.

O conclusão é uma só: os novos ministros não precisam ser vocacionados nem conhecer bem o evangelho.

‘LAVAGEM’ PELA FÉ

No meio de tudo isso, fiquei a pensar numa recente informação da área: um rico proprietário de indústria de móveis e colchões resolveu, no Norte do Paraná, fundar sua própria igreja.

A pergunta possível é se essas facilidades “religiosas”, com todos os benefícios de isenção fiscal, não geram lavagem de dinheiro? Só para lembrar ainda sobre o filão neopentecostal:

A Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada há 10 anos pelo intitulado apóstolo Waldomiro Santiago é hoje um dos grandes fenômenos de massa. Dias atrás, um culto da igreja em Guarulhos, SP, trancou por mais de duas horas a Rodovia Presidente Dutra.

Waldomiro é egresso da Universal.

EM COIMBRA UFPR CAUSA ESPANTO

Complementando as informações já dadas pela coluna, a paranaense que está fazendo pós-graduação em Coimbra  diz que, por mais que argumente, lá todos custam a acreditar que, assim como Coimbra foi a primeira universidade a ser fundada em Portugal, a do Paraná, que festeja o centenário este ano, é a mais antiga universidade do Brasil. Os portugueses, em maioria, consideram a Universidade de Brasília a mais importante do Brasil e tendem a crer que a mais antiga ou é a do Rio de Janeiro ou da Bahia. Os estudantes de lá estão alarmados com os cortes nas bolsas de estudo concedidas a 12.000 alunos este ano, substancialmente reduzidas em seus valores. Mas esclarece que em situação pior ficaram os 11 mil que tiveram as bolsas canceladas no ano passado e que não puderam prosseguir nos estudos. É a crise do euro que causa impacto na velha universidade, onde os estudantes salpicam seus grafites de protesto até na Escadaria Monumental que dá acesso ao campus.

EMPRESA DE JACOBOWSKI É CONDENADA

No Distrito Federal a empresa Minuaro, do empresário paranaense Haroldo Jacobowski, foi condenada pelo Tribunal de Contas do  DF.  O número do processo é 12.372/09 e envolve o DFTRANS – o Transporte Urbano do Distrito Federal. A decisão é longa, mas alguns trechos chama a atenção, especialmente, a ligação entre Jacobowski e Marcelo Toledo, dono de uma das empresas do Consórcio que contratou com o DFTRANS.

CASO ARRUDA

Toledo é um nome envolvido na operação Caixa de Pandora – que acabou levando à prisão do ex-governador Arruda.

Houve suspensão de pagamento e, como está na decisão, “segundo apurado pelo Núcleo de Fiscalização em Tecnologia da Informação, o dano alcança a substantiva cifra de R$ 18.855.068,90 (dezoito milhões, oitocentos e cinquenta e cinco mil, sessenta e oito reais, noventa centavos)”.
Dezoito milhões de superfaturamento, concluiu o TC do DF. Aqui no Paraná não tem notícia de condenação de alguma empresa de Jacobowski.

LIGADO AO PCdoB,  SINDICATO DOS MÉDICOS  QUER SABER DO ICI

De área mais ou menos afim: o Sindicato dos Médicos de Curitiba, controlado por diretoria ligada ao PCdoB, está interessada em saber  como a  OSCIP Instituto Curitiba de Informática (ICI) presta Contas, já que não se reporta ao TCE.

“O assunto tem cores eleitoreiras, a indagação pode até estar repetindo aquilo que as oposições já fizeram nas eleições de2010”, disse à coluna uma fonte da Prefeitura, minimizando a indagação e garantindo:”Não há nada de errado com o ICI, ele tem normas administrativas e de prestação de contas semelhantes às de outras organizações similares, como, por exemplo, o ParanáCidade”.

O sindicato anuncia que  vai à justiça pelas informações.

O SOTAQUE DE GLEISI INCOMODA? MAS ELA  AMPLIA SEUS  PODERES

André Gonçalves é um jovem e muito bem articulado jornalista, correspondente da Gazeta do Povoem Brasília. Eledeve estar chegando aos 30 anos. Mas – ao contrário do que diz a canção – é confiável e ganha respeito dos leitores pelo trato de que dá à notícia e aos personagens que  compõem  sua coluna.

Na edição desta sexta-feira, 27,  na GP, por exemplo,  ele falou de Gleisi Hoffmann, e a carga de poder que “a Dilma da Dilma” vai enfeixando, tendo autoridade para falar em nome da presidente com os 38 ministros.

Chamou-me atenção nessa última análise de André o trecho em que ele diz que o sotaque curitibano de Gleisi causa uma certa irritação em seus interlocutores. Irritação ou coisa parecida. Mas por quê? A resposta deve comportar outras análises, mas o bom é que nossa poderosa ministra, bonita e charmosa, não está nem aí, mantém-se firme na conquista que vai fazendo do Planalto. Afinal, sua fala é uma das marcas de Gleisi.

Queixar-se dele é malhar em ferro frio,” mesmo porque Gleisi não é de dar motivos para queixas”, diz uma assessora da senadora licenciada.

A propósito: quando a senadora Gleisi foi escolhida  chefe da Casa Civil, grandes órgãos da imprensa, como a Folha de São Paulo e Istoé recorreram ao perfil biográfico que fiz da ministra em meu livro Vozes do Paraná 2. Nem fotos possuíam da ministra, tendo a Istoé telefonado-me pedindo “autorização para reproduzir as fotos do livro”.

A ORIGEM DO SOTAQUE

O sotaque curitibano – ou curitibês – tem muitos estudiosos. Um deles foi o escritor Artur Tramujas, no livro “Passe a Cuia, Tchê”. Para ele, a origem de nossa fala, do homem e mulher da Capital, e de cidades a ela proximamente ligadas, estaria no tropeirismo.O nosso sotaque seria tropeiro, tal como é observado em Curitiba, Lapa, São Mateus…

Já o inesquecível Paulo Leminski deitou seu olhar sobre outra realidade para identificar o sotaque curitibês. Ele disse que tudo não passaria de influência dos imigranters, que o sotaque se firmou a partir da chegada de levas de imigrantes, no século 19.

A idéia é que os eslavos e alemães – e até italianos – faziam questão de exigir  de seus descendentes um português como escrito, com os “dê nos lugares”, em lugar de “di”, por exemplo.

Mas os italianos ficaram, na verdade, marcados pelo ítalo-eclesiástico da fala.

A OPINIÃO DE PUGLIELLI

E fui recolher a opinião do professor emérito da UFPR, ex-diretor do Setor de Ciências Humanas, jornalista Hélio Puglielli.  Assim, colho trecho de entrevista que ele deu ao blog de José Wiçlle, em 2010:

Hélio Puglielli – Bom, a origem do sotaque, como de outros hábitos que caracterizam o nosso tipo curitibano, decorre, exatamente, da síntese que se fez aqui em Curitiba entre várias etnias. Existem várias explicações para nosso sotaque, mas eu endosso integralmente aquela dada por José Ernesto Ericssen Pereira – colega nosso de imprensa jornalística, no livro chamado “História de Caminhos”: que essa nossa maneira de falar decorre de uma necessidade didática. Quando os emigrantes chegaram aqui, procuraram aprender no dia a dia a língua da nossa pátria, e os que estavam aqui, em seu contato, em seu diálogo com esses emigrantes, falavam as palavras bem silabadas, com todas as sílabas, para que os ouvidos que não estavam familiarizados com as nossas vogais realmente registrassem os sons. E esses imigrantes, por sua vez, ao falar, também adotaram esta linguagem. Nós não falamos muito depressa, como alguns brasileiros de outros estados; a nossa fala é mais ritmada. Além disso, antes mesmos dos estrangeiros chegarem, os paranaenses eram tropeiros no século XVIII;

SEGUNDO SURTO TROPEIRO

José Wille: no blog, explicações

E, mais adiante, disse Puglielli:

“Depois, houve um segundo surto de tropeirismo no século XIX. Havia também muito contato com castelhanos, porque os curitibanos iam buscar o gado lá no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai e Argentina.

Então, este contato com os países platinos também modelou, um pouco, o nosso linguajar.

Finalmente, a síntese com o imigrante fez com que marcássemos bem, silabássemos bem e vocalizássemos bem – falando com todas as vogais, ao contrário da consonantalização que caracteriza outros falares.”

E A NOSSA TIMIDEZ?

José Wille – E a comentada timidez do curitibano. Qual é a personalidade do curitibano tradicional?

Hélio Puglielli: dissecando o nosso falar

Hélio Puglielli – Essa timidez é explicada, não por mim, mas pelo historiador David Carneiro, que escreveu o livro “História Psicológica do Paraná”, em que supõe que o clima psicológico de retraimento advém, provavelmente, da época em que a maior parte dos imigrantes aderiu à Revolução Federalista.

Aderiram aos Maragatos, inclusive formaram batalhões para lutar ao lado dos revolucionários – tinha um batalhão italiano, um batalhão polonês… -, mas quem venceu foram os Pica-Paus.

A Revolução Federalista malogrou e esses imigrantes foram muito perseguidos. Houve uma espécie de retração política, não quiseram mais dar palpites na vida política do estado, não tomaram partido em função daquela desagradável experiência.

Também as oligarquias – os coronéis – dominaram o Paraná, na chamada República Velha, inclusive impondo o voto às pessoas, limitando a sua independência.

 

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