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“Toca de Assis”, a doação radical de alguns jovens

 

O leitor conhece um exemplo de radicalismo de fé religiosa que leva jovens ou menos jovens a abandonar tudo e ir viver em busca dos mendigos, os moradores de ruas, para resgatá-los material e espiritualmente?

Pois o modelo pode ser encontrado, num de seus seguimentos, em Curitiba, na Toca de Assis localizada na Rua Visconde de Nácar, 56.

A obra, um projeto de leigos católicos para o Brasil, nascido em 1994, em Campinas, SP l – e hoje com casas no Equador e Portugal também – envolve pelo menos 600 ‘irmãos no país’, jovens que deixaram tudo para, seguindo o primitivo modelo de São Francisco de Assis, cuidar dos pobres entre os mais pobres.

A Toca de Assis, no  Brasil , atende e abriga cerca de 1.500 moradores de rua em suas casas de acolhida. Isso sem contar os milhares de “homeless” alcançados pela palavra de ‘paz e bem’ que eles levam pelas grandes cidades brasileiras. Os irmãos da obra, no seu total, são aproximadamente 600.

“UNIVERSIDADE DO POVO”

Os “toqueiros”, ou “tocanos”, como são chamados, não são ordenados padres, nem fazem estudos além do curso médio. “Nossa universidade é com o povo de rua”, explica um deles. Irmão Francisco, o superior da Toca de Curitiba, diz que, por acaso, existem dois padtes na comunidade, que entraram na Toca depois de ordenados. Um trabalhaem Belo Horizonte, outro  no Rio de Janeiro. Mas a Toca tem como irmãos pessoas de formação universitária concluída.

A Toca  foi fundada pelo padre Roberto Lettiere, de Campinas, que vive num das casas da obra.

EM CURITIBA

Em Curitiba a Toca de Assis abriga, numa espécie de “clínica”, acolhidos que são tratados de dependências químicas, e recebem atendimento médico, psicológico e espiritual. E o mais importante: além de alimentados e abrigados,  são objeto do amor dos irmãos toqueiros, que há 6 anos ali trabalham.

Segundo o superior da obra em Curitiba, irmão Francisco (neste caso, o nome civil coincidiu com o religioso), o índice de recuperação dos moradores de rua, dos que deixam  a exclusão sociaal e as dependências químicas, é de 60% dos acolhidos no país.

MODELO DE FRANCISCO

A obra, aqui e  no resto do país depende de benfeitores. A ação direta com a massa dos absolutos carentes, nos termos em que é levada, só pode ser executada por gente como os “toqueiros”, jamais por funcionários. É um ato que replica a pedagogia do “Poverello” de Assis, a quem seguem. Vestem-se com burel, cabelo cortado à franciscana e, como rara  concessão ao modernismo, podem ser vistos de sandálias plásticas.

Há uma acadêmica que estuda o grupo, é a socióloga  Silvia Fernandes. Ela é certamente dos que entendem o radicalismo dessa doação  religiosa em favor da vida. Jamais para eliminá-la, como acontece com alguns grupos de outras tradições, bem conhecidos nos dias atuais.

“É CARACTERÍSTICA DE MAGNOLI REPRODUZIR FALHAS GROSSEIRAS”

Szyja Ber Lorber, jornalista, diretor do jornal Visão Judaica, concorda plenamente com as observações  do desembargador Antenor Demeterco, aqui publicadas, com reparos a falhas crassas de livros de Demétrio Magnoli.

Szya, leitor atento da coluna, considera que Magnoli age com tipo de preconceito quando trata do Oriente Médio e Israel em seus livros e em artigos na Folha de São Paulo.

Eis a opinião de nosso leitor:

“Caro Aroldo,

Li com muito interesse a nota de sua coluna de hoje sobre as falhas de Demétrio Magnoli, apontadas pelo desembargador Antenor Demeterco Júnior, a quem parabenizo não só por seu conhecimento profundo da história, como também pela atitude de corrigi-las junto ao autor, de forma corajosa, mas elegante. Ao fazer isso, o magistrado repõe a verdade histórica para que não seja manipulada, e deixa registrados os erros crassos para que, no futuro, as novas gerações não lhes deem crédito.

Essa característica de Magnoli produzir falhas grosseiras, tenho observado, repetem-se em muitos dos artigos e comentários no jornal Folha de S.Paulo, onde escreve, periodicamente, e em outros meios, especialmente, quando ele aborda temas relacionados a Israel e ao Oriente Médio. Em um texto recente, a propósito das eleições no Egito, ele afirmou, por exemplo, que a Irmandade Muçulmana, uma organização radical islâmica, fundada no final da década de 20 do século passado por Hassan Al Banna, que inspirou a criação a Al-Qaeda e outros grupos terroristas advindos do fundamentalismo muçulmano, é aliada dos militares que hoje estão à frente do governo do Cairo. O que não é verdade.

CONTRA PIO XII: OUTRO ERRO MALDOSO

Mas há historiadores ainda piores. Guardadas as proporções, casos muito mais sérios e com desdobramentos terríveis, existem. Recentemente, um deles foi publicado no jornal Visão Judaica e no site do Instituto Ciência e Fé. Trata-se do brilhante artigo do professor Antônio Carlos Coelho, dentro de uma série intitulada “Pio XII e os judeus”, no qual, ele analisa, em detalhes, as grosseiras falhas (ou má intenções) de um jornalista britânico John Cornwell, que também escreve livros sobre história.

Ele é o autor de “O Papa de Hitler: a história secreta de Pio XII”, editado no Brasil em 1999 pela Imago. Esse livro, segundo Coelho, é o atual inspirador das críticas feitas a Pio XII em relação à sua atitude frente ao nazismo. Mas Cornwell é acusado não só por “falhas crassas” como também por ser tendencioso e enganador. Ela utiliza uma famosa fotografia que hoje circula pela internet e mostra Hitler sendo cumprimentado por Pio XII. Só que na realidade o prelado que aparece na tal imagem, datada de antes do início da Segunda Guerra Mundial, não é Pio XII e sim o cardeal Cesare Orsenigo, então núncio apostólico em Berlim.”

A GRANDE FRAUDE DO HISTORIADOR

E mais adiante diz Lorber:

“Qualquer leitor de boa vontade, pode, em função disso, observar que se trataria de um equívoco de Cornwell, ou na pior das hipóteses, de uma falha crassa. Ocorre, porém, que o jornalista inglês com ares de historiador, comete tantas falhas em sua “obra” a respeito do mesmo tema que fica patente sua desonestidade. Até na capa de seu livro, ele usou outra fotografia do cardeal que representou o Estado pontifício na Alemanha dos anos 30 como sendo Pio XII. Dentro do livro, diversas outras fotos batem na mesma tecla, tentando convencer incautos de que é Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli, eleito Papa seis meses antes do início da Segunda Guerra Mundial, quem está ao lado do ditador nazista, responsável pelo Holocausto, que vitimou, entre outros, seis milhões de judeus.

Como diz o próprio professor Antônio Carlos Coelho: “num caso como este, com o uso de fotos enganadoras, é suficiente para avaliar o grau de veracidade dos seus escritos [de Cornwell] bem como o respeito que ele tem por seus leitores que, certamente, desconhecem as vestes talares que caracterizam os membros da hierarquia da Igreja, como também, ignoram complexidade que envolve as instituições religiosas”.

Por isso, é bom que jornalistas, historiadores e quaisquer outros que cometam falhas crassas, tenham sempre apontados esses erros, inadvertidos ou não, por aqueles que podem e devem fazê-lo. Afinal, como diz o velho ditado, “o papel aceita tudo…”

REVISTA IDEIAS DE DEZEMBRO: A NOVA CARA DA POLÍCIA

Isabela França: “perfume das festas”

A Revista Ideias de dezembro traz entrevista feita por Marianna Camargo com o delegado-geral da Polícia Civil Marcus Michelotto, que destrincha o projeto sobre Segurança Pública no Estado.

Fábio Campana analisa a disputa pela prefeitura no Paraná em 2012 e levanta assunto que será a pauta do próximo ano: a reforma ministerial de Dilma Rousseff.

Como estão as praias do Paraná? Saiba na matéria de Thais Kaniak: Sol, suor e lágrimas.

A especulação imobiliária em Curitiba pelas lentes de Karen Fukushima. Cultura: a vez do cinema paranaense, por Raffaela Ortis.

As melhores crônicas e opiniões do nosso time de colunistas. Dico Kremer traz o trabalho fotográfico de Fábio Colombini. As últimas da moda por Paola De Orte. Dicas de livros, filmes e música na Prateleira. Isabela França destaca as pessoas que são o perfume das festas e eventos. E ainda: Pryscila Vieira e seu humor imbatível.

Este fim de semana nas bancas.

ARQUITETO É HOMENAGEADO PELOS ENGENHEIROS

Dos 12 profissionais que serão homenageados pelo IEP – Instituto de Engenharia do Paraná, (sexta-feira, dia 9), com o tradicional “Troféu Paraná de Engenharia”, está Manoel Coelho (foto), o único arquiteto do grupo.

Coelho vai receber o prêmio “Destaque em Arquitetura”, pelo conjunto de projetos criados por ele e sua equipe de profissionais.

O arquiteto é autor dos projetos das universidades PUCPR e Positivo, tendo inclusive lançado o livro “Cidade do Saber”, em comemoração aos 10 anos do Campus dessa instituição.

BIA, NA CASA DE PILATOS

Numa longa mensagem, a artista plástica Bia Wouk, hoje vivendo em Madrid, onde o marido, João Almino é cônsul do Brasil, conta-me algumas novidades de seu itinerário europeu. Destaco alguns trechos:

João Almino: o escritor no cenário da Casa de Pilatos

As meninas  neste natal virão de nova york para madri, bem como Antoninho (Antonio Felipe Wouk, irmão)  e Bernardo Wouk (sobrinho), que virão de Curitiba para comer uma paella na ceia do natal; pois detesto peru. e quem disse que peru é compulsório no natal?

Antoninho e Bernardo farão depois uma vilegiatura a Toulouse (onde ele fez o doutoradoem Medicina Veterináriae onde Bernardo passou sua mais tenra infância) edepois a Paris, para o réveillon. Pas mal!

EXPOSIÇÕES

(…) eu e Elisa uma das filhas dela e João, a outra é Letícia) iremos a Londres no início de janeiro para ver as exposições, museus e teatros. Elisa se gradua em Columbia em maio próximo, mas já está pensando na pós-graduação. Letícia volta para Nova York, pois agora trabalha no escritório de bob stern e férias americanas, como você sabe, são praticamente inexistentes.”

OUTONO EM SEVILHA

“(…) joão e eu curtindo o outono na Espanha, passamos o fim de semana passado, celebrando meu aniversário (do qual hoje em dia quero mais é esquecer…) em sevilha, cidade linda. Você conhece? te mando de presente de natal, em email separado, algumas fotos que fiz lá na Casa de Pilatos, uma residência islâmica do século XV, das coisas mais emocionantes que já vi nesses meus anos todos muito bem rodados. o bom e o melhor nas festas, muita paz, alegria e saúde hoje e sempre.”

“E OS CONTOS RENEGADOS POR DALTON?”

“Caro Aroldo:

permita-me meter a colher no assunto “estatística literária”, especialmente no caso do contista Dalton Trevisan. Não é necessariamente a mesma coisa contar gols e contos. No caso de gols, basta contabilizar os gols feitos em partidas oficiais (claro que pode haver controvérsia sobre a natureza oficial ou não de determinada partida). Com contos, e de maneira especial no caso do Dalton, o buraco é mais embaixo. Se fosse apenas somar os contos de sua bibliografia oficial, não seria difícil. Bastava ir a uma biblioteca com sua obra completa e contar os contos de seus sumários.”

E O “SONATA AO LUAR”?

Mais adiante, registra Otto:

“Mas e os contos dos livros renegados pelo autor, como Sonata ao luar E Sete anos de pastor? E contos publicados em folhetos artesanais,distribuídos entre os amigos, como era o costume do autor, e às vezes nunca publicados em livro? E os contos publicados somente na imprensa?”

CONTOS FORAM ALTERADOS

Por último, questiona ainda Otto:

“E os contos que sofreram alterações e foram publicados com visíveis mudanças? Contam-se uma ou duas vezes? E aqueles textos híbridos típicos do Vampiro, algo entre haicai e microconto, conta como conto? Resolvidas estas questões “epistemológicas”, creio ser importantíssimo sabermos se o Daltan já “marcou” ou está para “marcar” seu milésimo conto.

Abraços e parabéns pela coluna! Otto Leopoldo Winck”

QUEM VAI APOIAR O LIVRO DE BEATRIZ SOBRE IMIGRAÇÃO ITALIANA NO SUL?

O comentário bíblico de que ninguém é profeta em sua terra foi recentemente confirmado durante o lançamento da obra da professora Beatriz Pellizzetti (aposentada da UFPR) no Memorial da Pátria,em Roma. Aliás, como pondera o informante desta coluna, a confirmação é dupla. Em primeiro lugar, por ter sido o livro sobre imigração (não só italiana) no sul do Brasil lançado em italiano e, antes, em francês, sem ter até agora uma edição brasileira, em nossa língua, não por negligência da autora, mas por falta de oportunidade de edição em sua própria terra. Em segundo lugar, durante o lançamento realizado na Itália, que contou com a participação dos mais conceituados professores e especialistas em imigração, notou-se a ausência de representantes da cidadezinha lombarda de Revere, na província de Mântua, onde nasceu, no século XIX, o pai de Beatriz, Ermembergo Pellizzetti, pioneiro da colonização italianaem Santa Catarina. Emcompensação, esteve presente o “sindaco” Arnaldo Marchett , prefeito da comuna limítrofe a Revere, Magnacavallo, que inclusive doou à professora brasileira documentos sobre a emigração dos lombardos para o Brasil, exaltando o papel desempenhado nesse contexto por Ermembergo Pellizzetti. um dos personagens centrais da obra escrita por sua própria filha.

Além do prefeito de Magnacavallo, também esteve presente ao lançamento do livro de Beatriz uma delegação da “Associazione Mantovani nel Mondo” (Associação dos Mantuanos no Mundo), criada para congregar, como indica o próprio nome, os originários da cidade e província de Mântua (em italiano Mantova) que praticamente já se espalharam pelos cinco continentes.

 

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