Hélio Oiticica para os pés
Depois de fazer a cabeça de colegas, críticos e espectadores, Hélio Oiticica, pintor, escultor e multimídia nascido no Rio de Janeiro em 1937 e falecido em 1980 depois de entrar para a história da arte como criador do Parangolé, revela-se inspirador para os pés.
A coleção de calçados para o outono-inverno 2012 da designer mineira Virgínia Barros, lançada no Minas Trend Preview, é inspirada na obra do revolucionário artista plástico.
Apropriada homenagem, pois Oiticica, também fonte inspiradora para a moda, assinou obras experimentais e, acima de tudo, rompeu com o conceito de obra de arte como objeto contemplativo.
Pois os calçados de Virgínia Barros seguem a idéia da interatividade. Sucesso à primeira vista: donas
de grifes, designers, jornalistas e lojistas caíram de amor pela coleção.
“Fiquei surpresa com a receptividade, já que a coleção é bem conceitual”, observava a designer. Ainda que dois modelos, os mais atraentes, tenham forma completamente quadrada, lembrando as Bólides de madeira do artista, os sapatos são confortáveis. Vestem bem ea palmilha em EVA siliconada, forrada com uma delicada camurça, garante a maciez.
Virgínia Barros, que a cada coleção traz um tema brasileiro (na edição anterior do MTP apresentou calçados inspirados no cangaço) optou por trabalhar com linhas retas em todos os calçados, deixando as curvas de lado, nos doze modelos concebidos para o inverno.
Além da linha quadrada, as cores remetem à obra de Oiticica, além do caráter sensorial.
A experimentação e interação tão caras a Oiticica se faz presente num dos, que convida a usuária recriar o escarpim devido às tiras em couro colocadas de diferentes modos através de uma camada de velcro posicionada do lado contrário.
Inspirada no Penetrável Magic Square, Virgínia assina um sapato com abas fechadas sobre o peito do pé. A tridimencionalidade de Oiticica é personificada numa bota. E sua irreverência está numa sandália, na verdade um sapato em que o cabedal de camurça traz uma imagem real de um par de sandálias calçadas, porém, com uma estrutura inviável em termos práticos. (A edição de Virgínia Barros é limitada).