Chile: Educação e desigualdade social
Nos últimos dias o Chile tem experimentado um verdadeiro levantamento de revolta da cidadania chilena por causa de uma cara e de má qualidade da educação.
Chile sempre é lembrado como país que apresentava um bom exemplo das políticas educacionais. No entanto, nas últimas semanas o país esta numa instabilidade político, provocada pelas mobilizações dos estudantes, professores e organizações sócias que exigem educação publica e de qualidade. As pesquisas mostram um amplo apoio da sociedade chilena que se tem expressado em panelaços noturnos.
Em 2006, a ex- presidenta Michelle Bachelet teve que enfrentar grandes protestos dos alunos do ensino médio conhecido pela “Revolução dos Pingüins’’ (pela cor do uniforme dos estudantes).
As causas desta situação estão no formato que apresenta o sistema educacional. Atualmente, 23% do sistema educacional são financiados pelo Estado e o restante pelos estudantes. A educação gratuita esta somente no ensino básico, enquanto no ensino médio e universitário é privada, inclusive nas universidades públicas.
As bases deste sistema forma implantado pelo governo do Pinochet que eliminou a educação terciaria gratuita, reduzindo o papel do Estado para simples regulador entregando o ensino para o setor privado. Desta forma, foram geradas as ‘’universidade e colégios empresas’’.
Atualmente, 60% dos alunos estudam em colégios privados ou subvencionados (publica-privado) e 65% nas universidades privadas.
O sistema é qualificado como ‘’perverso’’ pelos estudantes, pois deixa a miles de estudantes pobres e de classe media endividados, pois tem que pagar o financiamento universitário desde o primeiro emprego, sendo que 70% dos estudantes usam este tipo de financiamento.
Desta forma, a educação no Chile deixou de ser um mecanismo de mobilidade social se transformando num sistema de desigualdade.
Porque os governos do Presidente Piñeira e os anteriores da Concertacao não buscaram as soluções para este problema.
Segundo alguns expertos educacionais foram por causas ideológicas, pois preferem manter um ‘’sistema neoliberal extremo’’ deixando que o mercado regule a educação. A classe política chilena ainda tem medo de provocar uma maior intervenção do Estado pelo qual não assumiu as reformas políticas solicitadas, não somente pelos estudantes senão também pela sociedade chilena.
Todo indica que a governabilidade do atual governo esta ameaça, pois as revoltas dos estudantes culminaram com uma greve geral convocada pela CUT e federações de estudantes com o apoio da cidadania, inclusive com policiais que também tem filhos na universidade.
* Rene Berardi