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Restaurar monumentos?

Os antigos romanos já falavam da necessidade de preservar a história, pois ela educa e ajuda a entender o presente. Uma maneira de preservar a história de uma cidade é cuidar dos monumentos e dos prédios antigos. Nessa tarefa são chamados engenheiros, arquitetos, historiadores e restauradores, pois exige uma equipe multidisciplinar competente para não prejudicar aquilo que se deseja preservar.

Em 2008, quem passava pelo Paço da Liberdade, em Curitiba, observava as obras de restauração. No mesmo ano, a Praça Tiradentes foi reformada para valorizar os calçamentos de cunho arqueológico, datados da metade do século XIX, dando visibilidade aos achados. Tanto o Paço da Liberdade quanto o antigo calçamento da Tiradentes fazem parte da história da capital do Paraná.

Alguns livros nos ajudam a entender melhor os conceitos e os trabalhos de preservação. Como se iniciou o interesse pela preservação de monumentos históricos? Que conceitos moviam esses estudiosos que defendiam e defendem a proteção da arquitetura das cidades? Para entender um pouco mais do assunto, vamos falar de dois livros.

RESENHA: Catecismo da Preservação de Monumentos, de Max Dvorák, tradução de Valéria Alves Esteves Lima.

O autor apresenta exemplos interessantes que podem cativar qualquer leitor. O livro Catecismo da Preservação de Monumentos (Ateliê Editorial, 2008, 128 páginas), inicia-se com uma pergunta: O que é preservação de monumentos? E dá um exemplo. A visita a uma pequena cidade cujo ponto central era uma igreja gótica, acinzentada pelos anos, uma praça, construções, e o leitor pode criar em sua mente a imagem dessas ou outras pequenas cidades. 

Talvez de alguma cidade que conheceu na infância. A tarefa da preservação é, justamente, impedir tais perdas e devastações. O que procura a preservação de monumentos? É preciso garantir a existência dos antigos monumentos, que de alguma maneira, contam a história de um local. Eles são testemunhas do passado.

Max Dvorák, historiador da arte tcheco, ligado à celebre Escola de Viena, nasceu em Raudnitz, na Boêmia, em 1874, e faleceu em 1921. No livro analisa várias causas que prejudicam a preservação. Entre elas, a ignorância, a negligência e ideias equivocadas a respeito do progresso. Já foram perdidas antigas obras de arte por conceitos errados.

O autor enfatiza: “Não haveria, no mundo, museu grande o suficiente para recolher as peças de mobiliário e os mais diversos objetos sacros que, por ignorância, foram queimados ou vendidos como traste na Áustria (…).”

Também chama a atenção sobre o erro de acreditar que através de reconstruções é possível devolver sua forma original. E declara que essas obras são reproduções sem valor, pois é impossível voltar ao passado e que “cada uma delas foi uma solução artística condicionada por fatores específicos, o que a torna irreproduzível, assim como não se pode ressuscitar um homem medieval de sua sepultura”.

RESENHA: Preservação do patrimônio arquitetônico da industrialização – Problemas Teóricos de Restauro

A autora, Dra. Beatriz Mugayar Kühl, é arquiteta com especialização na área de preservação de bens culturais na Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica), doutora pela Universidade de São Paulo e pós-doutora pela Università degli Studi de Roma.

No livro “Preservação do patrimônio arquitetônico de industrialização”, (Ateliê Editorial, 2009, 328 páginas), a autora assinala e procura superar certas lacunas conceituais nos atuais debates sobre preservação no Brasil. Chama a atenção sobre as graves consequências que podem resultar do esquecimento ou negligência da aplicação de certos princípios às atividades de restauro. A ênfase é dada na correta preservação dos patrimônios arquitetônicos.

Esse livro traz a releitura crítica de algumas teorias. O texto aprofunda-se, especificamente, em algumas questões sobre a restauração do patrimônio industrial. As considerações vão desde a origem da arqueologia industrial na Inglaterra dos anos 50 do século passado até a discussão de casos singulares, especialmente de São Paulo e adjacências.

A autora procura abordar problemas pertinentes ao patrimônio industrial para analisar preceitos importantes do restauro. O livro pode ser considerado uma releitura crítica de assuntos importantes, focando as possibilidades de conservação e restauro segundo as circunstâncias atuais.

Esse livro é fruto da revisão da tese intitulada “Preservação do Patrimônio Arquitetônico da Industrialização: Problemas Teóricos de Restauro”, defendida pela arquiteta Beatriz Mugayar Kühl, em 2006, na FAU-USP.

Raramente as questões conceituais relacionadas com a preservação do patrimônio arquitetônico vinculado ao processo de industrialização são debatidas. Por isso, o livro adquire um valor especial, pois procura despertar o interesse sobre um assunto tão importante, examinando preceitos de restauração de bens culturais que fundamentam os debates na atualidade, especialmente porque o livro analisa alguns casos de intervenção no patrimônio industrial paulista.

 * Isabel Furini é escritora e palestrante. Autora da coleção Corujinha e os Filósofos, da editora Bolsa Nacional do Livro, de Curitiba. Em 2007, redigiu a obra SENAC Paraná, 60 anos.

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