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RESENHA: Ex-libris

Isabel F. Furini

Se você for bibliotecário ou se ama os livros e tem uma biblioteca na sua casa, se, como já falou Sócrates, prefere livros a comprar outros objetos bonitos, então precisa conhecer a obra Ex-Libris, da Ateliê Editorial, organizado pelo professor Dr. Plínio Martins Filho. A obra, cuidadosamente trabalhada, com fotografias de ex-libris, é uma delícia para bibliotecários, bibliófilos e curiosos.

Mas o que é ex-libris?

Vejamos primeiro a origem do nome: em latim, ex libris significa “dentre os livros de”, “da biblioteca de”.

De “Ex-Libris” (Ateliê, 2008, 196 páginas), extraímos um fragmento esclarecedor escrito por Dorothée de Bruchar: “O ex-libris, sabe-se, é aquela etiqueta, colada geralmente nas primeiras folhas de um livro ou na contracapa, contendo o nome ou as iniciais do proprietário e podendo, através de uma imagem ou texto, indicar sua profissão, seus gostos, seu ideário, ou até (nem sempre) discreto lembrete a eventual surrupiador da obra. O ex-libris do desenhista e caricaturista francês Gus Bofa (1883- 1968), por exemplo, indagava sarcástico: “Esse livro pertence a Gus Bofa. / O que está fazendo aqui?” Por meio do ex-libris é que os bibliófilos, ou os leitores que prezam os seus livros e se orgulham da sua biblioteca, costumam personalizar cada um dos seus volumes.”A coleção publicada no livro foi cedida por José Luís Garaldi, quase toda formada por exemplares brasileiros. E nada de imitações! Amostragem expressiva de ex-libris genuínos, ou seja, daqueles criados por grandes artistas especializados no gênero, como o foram Agry, gravador dos ex-libris do Barão do Rio Branco. Uma verdadeira preciosidade.

Plínio Martins Filho, organizador, esclarece: O trabalho feito para ilustrar o leitor sobre as características dos ex-libris foi realmente um trabalho cuidadoso. O esmero é visível em cada página. Um belo livro, além de educativo. Merece um lugar de destaque em qualquer biblioteca.

CRÔNICA: Vânia, a Vaidosa da Turma

Existem vaidosos em todas as áreas. E como são chatos, não é verdade? Só falam de si mesmo e elogiam a própria obra sem aceitar crítica nenhuma. Esse é o caso de Vânia, que participou de uma oficina de literatura, leu dois ou três livros sobre a Arte de Escrever e lá está ela sentindo-se uma estrela!

O orientador da turma criticou-a. Uma aluna que participa da oficina e gosta de discordar para mostrar que existe, lançou a frase fatal: “Ela tem o estilo de Proust… Vaninha parecia flutuar. Era isso!.. orgulhosa ….. dizia que era de linha proustiana”. Interessante a afirmação, porque Vaninha nunca lera os livros de Proust.

O tempo foi passando e a vaidade de Vaninha aumentou. “Eu utilizo o monólogo interior, a narração labiríntica, vejam o foco narrativo da segunda pessoa… Um dia, um editor visitou a Oficina. Todos tiveram a oportunidade de ler um conto. O editor elogiou o esforço dos alunos e escolheu os contos de Talita para publicação.

Vaninha sentiu-se ofendida. Eu escrevo igualzinho a Proust – esbravejou. O editor, é preciso dizer que havia lido a obra completa de Proust, sarcástico, retrucou:

- Moça, seus contos se parecem com os de Proust como uma azeitona se assemelha com uma melancia!

Vaninha abandonou a oficina. Mas ainda escreve e segundo suas própria palavras: “até Proust foi rejeitado pelos editores de sua época… um gênio nunca é compreendido…” * Isabel F. Furini – é escritora e palestrante. Em 2007, redigiu a obraSENAC Paraná 60 Anos”. Autora de “O Livro do Escritor” e “Oratória Forenseda editora Instituto Memória, fone (41) 3352-3661, a venda também nas Livrarias Curitiba, Fnac, Chain e Cultura Online.

 

 

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