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Bahia dá régua e compasso para a moda (1)


Das músicas de Caymmi, Gil e Caetano, das letras de Jorge Amado, do cinema de Glauber, a Bahia passa agora a entrar também no imaginário da moda. Há seis anos nascia no Sebrae o Projeto Estruturante, que culmina com o Bahia Moda Design


Das músicas de Caymmi, Gil e Caetano, das letras de Jorge Amado, do cinema de Glauber, a Bahia passa agora a entrar também no imaginário da moda. Há seis anos nascia no Sebrae o Projeto Estruturante, que culmina com o Bahia Moda Design, realizado em Salvador nesta semana, envolvendo desfile de nove marcas e Rodada de Negócios com 21 empresas de confecção.
O projeto envolveu cem microempresários de Salvador e Feira de Santana, que vivenciaram três etapas: capacitação, MBA de gestão de design em moda, com o objetivo de agregar referências da cultura nacional e desenvolver coleções dentro de um calendário de moda e, por fim, o Bahia Moda Design, evento de promoção das marcas que tiveram seus planos aprovados pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Com verba do Banco Interamericano do Desenvolvimento-BID, o projeto chegou à criação do Centro de Design, em dezembro de 2009. Ali, equipes desenvolvem coleções para as confecções. E ao fim acontece a Rodada de Negócios, pois não há moda sem geração de renda. Nesse sentido, o Núcleo de Acesso ao Mercado do Sebrae-BA cadastrou lojistas com os quais as empresas gostariam de manter contato.

“Na próxima edição, o Sebrae deve comparecer apenas entre os apoiadores do Bahia Moda Design, pois todo o projeto, após seis anos, é para que os empresários continuem a caminhada com suas próprias pernas”, adianta Chris Rabelo, há 13 anos no Sebrae e gestora do projeto que visa, enfim, dar régua e compasso para a moda da Bahia. Para tanto, contribuíram a Federação das Indústrias do Estado da Bahia, Senai, Senac e Sindvest, que devem manter a chama fashion acesa, pois a finalidade de tanto esforço é “criar uma identidade e colocar a Bahia no cenário da moda nacional”..

Das 21 empresas participantes da Rodada de Negócios, nove foram à passarela, armada no Othon Palace Hotel. Com curadoria do estilista Vitorino Campos, mostraram apropriadas coleções as marcas Goya Lopes, Habtat, Sélya Mascarenñas,Vivire, Hipnose, Patro, Anaport, Iza&Bell e Mahalo. “Há talentos surpreendentes e empresas exemplares”, diz Cláudio Silveira, criador do Dragão Fashion Brasil e curador e produtor dos desfiles do Bahia Moda Design.

“A Bahia”, acrescenta Cláudio, “merecia um evento que desse oportunidade a vários segmentos da moda para mostrar suas qualidades. O Nordeste existe também não só como consumidor de moda, mas também como criador”.

E a passarela do Bahia Moda Design, pela qualidade das coleções, mostrou que o projeto nasceu com maturidade.  A designer Goya Lopes, de visibilidade internacional, participa do projeto e levou à passarela sua primeira coleção de moda praia, tendo por tema a formação do povo brasileiro – índio, afro e europeu – em “Trançando ritos”. Cores laranja, amarela e vermelha tingiram bem modelos biquínis, saídas de praia, maiôs, shorts e maxivestidos. Essa coleção dá a partida para a marca Goya Lopes Resort, em que a estilista divide a criação com a estilista Renata Córes. Estamparia muito rica: textura de cestaria, folhas de acaanto, ferramentas dos orixás, impressas em base nobre.

Também na linha resort, a Vivire, presente em salões de negócios do Rio de Janeiro, reafirma sua qualidade e atua até como âncora na passarela, pois “ela é um exemplo de promoção de marca”, observa Claudio Silveira. Também não interessa à ela, diz a designer e proprietária Virginia Moares, ficar isolada no mercado, pois o que interessa é a criação de um pólo de moda da Bahia. A modelagem e toques inovadores, como maiô com babados no decote, são alguns dos exemplos da qualidade criadora da Vivire, com sua coleção.

A Habtat, outra marca de moda praia, veio um tanto apimentada. Estampa de uma malagueta faz referência à Bahia, servindo para um toque irreverente no desfile: pimenta de enfeite nos cabelos. Vermelhos ardentes, verde e o duo p/b dão o tom.

O desfile de Sélya Mascareñnas, cujo foco são vestidos de noiva e festa, mostrou uma coleção anos 50 mas com detalhes atuais. Vestidos justos, de cintura marcada, saias godês, longas ou curtas, dão o clima retrô e romântico. A simplicidade se faz presente na sofisticação dos tecidos, na modelagem do linho, nos acabamentos, em detalhes como botões encapados, e nas sobreposições de tule.

 

 

 

 

 

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